Região de Piracicaba perdeu 30% da água potável produzida em 2020, acima da média estadual

Por Laís Seguin |
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Professor da PUC Campinas fala sobre a necessidade de grandes investimentos federal e internacional

A RMP (Região Metropolitana de Piracicaba) perdeu, em média, 30% de água na distribuição das redes de abastecimento público no ano de 2020, segundo os dados do SNIS (Sistema Nacional de Informações de Saneamento). O levantamento de 2020 contou com 18 municípios da região contra 24 no ano de 2019. O indicador da região ficou acima do registrado para o Estado de São Paulo, com desperdício de 27% da água potável. O mesmo indicador apresentou piora entre os anos de 2019 e 2020, tanto para o Estado paulista, que foi de 25% para 27%, quanto para a RMP, com alta de 28,3% para aproximadamente 30%. A consolidação do cenário é de autoria da economista Cristiane Feltre.

Ela destaca que, em um dos extremos da RMP se encontram municípios como Conchal, com nenhum desperdício e, no outro, os campeões de perdas: Santa Cruz da Conceição (57,42%), Piracicaba (56,83%), Rio das Pedras (53,82%) e Analândia (50,55%). “O indicador de perda representa a água disponibilizada que não foi contabilizada como volume utilizado pelos consumidores, seja por vazamentos, falhas nos sistemas de medição ou ligações clandestinas”, observa Cristiane, professora do Centro de Economia e Administração da PUC Campinas (Pontifícia Universidade Católica) e criadora do perfil nas redes sociais ‘RMP em Números’ (@rmpemnumeros).

“No ano de 2021, alguns municípios da região sofreram racionamento ou ameaça de racionamento no abastecimento de água. Destaca-se aqui o município de Rio das Pedras que passou por aproximadamente oito meses de racionamento de água e vê o problema se repetir desde o ano de 2014 ao passo que apresenta um dos maiores níveis de desperdício da região, com 53,82% de perdas”, ressalta a economista.

Cristiane também lembra que a região das bacias do PCJ (Piracicaba, Capivari e Jundiaí) enfrenta problemas com a capacidade de abastecimento de água. A economista mostra que a disponibilidade de água para os municípios do entorno era de aproximadamente 961 metros cúbicos anuais por habitante em 2019 – a situação é considerada como crítica com menos do que 1.500 metros cúbicos.

O também economista e professor da PUCC, Dimas Gonçalves, membro do Comitê das Bacias do PCJ no Grupo de Trabalho de Monitoramento e Indicadores dos Recursos Hídricos, diz que as perdas são a ponta do ‘ice berg’. “Garanto para que a maioria das prefeituras desconhece o problema. E outras nem querem ouvir falar, pois, qualquer ação requer muito investimento. E somente o governo federal mais financiamentos internacionais dariam conta, em parte, do problema.”

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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