André é enterrado em Piracicaba; em meio a dor, pais agradecem doações

Por edicao_jp |
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Foram 12 anos de luta à fibrose cística; os últimos dias de André foram ‘mágicos’

O velório e enterro do menino André Barbosa Diniz, - que morreu aos 12 anos na manhã desta quinta-feira (06) após lutar toda a vida contra a fibrose cística -, foi realizado nesta sexta-feira (07) desde as 6h, na sala 1 do Cemitério da Vila Rezende, e seu sepultamento se deu às 14h.

Em entrevista ao Jornal de Piracicaba, o pai de André, José Nilson Diniz agradeceu a toda a população pela solidariedade e as contribuições financeiras, doações de cilindros de oxigênio e aos profissionais de saúde e demais funcionários da Santa Casa de Piracicaba, que permitiram que seu filho ficasse esses últimos 15 dias com a família, fora do ambiente hospitalar.

O JP acompanhou o caso do André e divulgou a história dele em três reportagens veiculadas no dia 29 e 31 de dezembro de 2021 e também no dia 06 de janeiro.

A história de André ficou conhecida em Piracicaba e tomou conta das redes sociais nas últimas semanas. André nasceu na Santa Casa de Piracicaba, em 21 de outubro de 2009 e ainda bebê, foi diagnosticado com a doença. A partir disso, ele iniciou tratamento com medicações específicas. O quadro de saúde piorou quando completou 10 anos de idade, situação em que passou a necessitar do oxigênio noturno e logo em seguida, por 24 horas.

Nesses 12 anos foram várias internações. No entanto, ano passado ele contraiu covid-19 e sua função pulmonar ficou extremamente debilitada. Em poucos meses, recebeu o diagnóstico de que entrava em cuidados paliativos, já que a capacidade respiratória de seu pulmão, após o novo coronavírus, havia caído para 20%.

No fim do ano passado ele havia falado de um desejo: que o Papai Noel fosse até seu quarto, pois estava internado desde o dia 09 de outubro.

Seu pedido mobilizou as equipes de pediatria, pediatria intensiva e Comissão Interna de Humanização do Hospital. Papai Noel, interpretado pelo cardiologista Marcos Mendes, levou para o André dezenas de presentes, comprados pelos funcionários do hospital. Um grupo de médicos e funcionários o presenteou com 11 cilindros de oxigênio para que pudesse passar o Natal com sua família em casa. A ação emocionou os internautas e muitas pessoas fizeram doações para que a família de André pudesse comprar mais cilindros para ele passar o Ano-Novo em casa também. E deu certo.

Nesses 15 dias que conseguiu ficar com sua família e fora do ambiente hospitalar, André esbanjava felicidade. Recebeu até a visita da equipe do Samu, que o presenteou com um uniforme. “Ele sempre disse que o sonho dele era ser socorrista do Samu quando crescesse, para salvar muitas vidas”, disse Jesuína Barbosa Diniz, mãe do André.

FIBROSE CÍSTICA
Fibrose Cística, também conhecida como Doença do Beijo Salgado ou Mucoviscidose,éuma doença genética crônica que afeta principalmente os pulmões, pâncreas e o sistema digestivo. Atinge cerca de 70 mil pessoas em todo mundo,e é adoença genética grave mais comum da infância. Um gene defeituoso e a proteína produzida por ele fazem com que o corpo produza muco de 30 a 60 vezes mais espesso que o usual. O muco espesso leva ao acúmulo de bactéria e germes nas vias respiratórias, podendo causar inchaço, inflamações e infecções. Esse muco também pode bloquear o trato digestório e o pâncreas, o que impede que enzimas digestivas cheguem ao intestino. O corpo precisa dessas enzimas para digerir e aproveitar os nutrientes dos alimentos, essencial para o desenvolvimento e saúde do ser humano. Os principais sintomas apresentados na doença são pneumonias frequentes, tosse crônica, dificuldade em ganhar peso e estatura e diarreia.

Laís Seguin
lais.seguin@jpjornal.com.br

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