A economista Cristiane Feltre alerta sobre o problema de desabastecimento, o que pode impactar novos negócios
A RMP (Região Metropolitana de Piracicaba) está com uma disponibilidade hídrica em nível crítico. As cidades da região têm 65,3% dos 1.500 m³ por habitante ao ano, índice definido pelo Estado de São Paulo como o mínimo e razoável no acesso à água. O levantamento é da economista Cristiane Feltre, com dados da Agência das Bacias PCJ e SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento). Na RMP, o índice atual para o ano, é de 980m³ de água por habitante.
“Estamos em uma situação bastante desconfortável em relação à disponibilidade de água. O que se considera como crítico é qualquer situação abaixo de 1.500 metros cúbicos por habitante por ano. E a região do PCJ está com menos de mil metros cúbicos”, destaca Cristiane, que é professora do Centro de Economia e Administração da PUC Campinas (Pontifícia Universidade Católica) e criadora do perfil nas redes sociais Região Metropolitana de Piracicaba (RMP) em Números (@rmpemnumeros), confirma a tendência englobando todos os setores.
A falta de água impacta economicamente de forma micro e macro cada uma das cidades. “Primeiro que, em relação aos domicílios, a água é um bem essencial e importante no nosso dia a dia. Para uma pessoa sair para trabalhar, para chegar e casa, precisa haver essa regularidade no abastecimento de água.”
Na outra ponta, e sob a mesma demanda, estão os setores que movem a economia. “Em relação à agricultura e indústria é importante uma previsão da regularidade do abastecimento. Isso porque o segmento industrial que tenha a intenção de se estabelecer em uma cidade, ou mesmo aquelas unidades já estabelecidas, caso não encontrem essa regularidade no abastecimento, terão dificuldades em fornecer um produto ou um serviço. E quanto mais irregular, inseguro, o abastecimento de água, maior a dificuldade da previsão no fornecimento de bens e serviços por parte de uma empresa e, provavelmente, menor será o interesse dessas empresas em se estabelecerem em uma localidade. O cenário pode, em um futuro próximo, impactar no interesse de empresas em se estabelecerem na cidade caso não haja regularidade no abastecimento de água”, explica a economista.
Segundo a Agência PCJ, a predominância no uso da água ocorre no abastecimento público, que consome pelo menos 50% do fornecimento, seguido da indústria (23%) e da agropecuária (18%). Os municípios da RMP mais consomem água por pessoa são Águas de São Pedro, Araras, Conchal, Pirassununga e Santa Cruz da Conceição. Quanto ao Estado de São Paulo, as cidades localizadas na região Norte e costeira são as maiores consumidoras de recursos hídricos por pessoa.
Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br
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