‘Comemoro tranquila, pois estou com a pessoa que mais amo’, dizem mães de prematuros

Por edicao_jp |
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Neste Natal, muitas passarão ao lado dos pequenos que permanecem internados na UTI Neonatal da Santa Casa

Para a maioria das pessoas, o Natal é uma situação na qual a família se reúne para distribuir presentes e comemorar as conquistas do ano que se encerra. Mas para as mães de recém-nascidos prematuros internados na UTI da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Piracicaba é mais um dia de tratamento e, por isso, passar essa noite no hospital é fundamental.

Ser mãe em uma UTI neonatal, entretanto, é um desafio. Há uma adaptação física e mental, dos sonhos às rotinas, como relatam Adliredis da Silva Matos Pereira, e Daniela Lopes Freire. Elas queriam voltar para casa com os filhos nos braços. Cada uma com sua circunstância, essas mulheres guardam imagens semelhantes do pós-parto.

Os primeiros dias da vida materna foram diferentes do esperado, não houve troca de fraldas, uso do quarto novo, o primeiro banho e a amamentação. Os planos da maternidade não costumam contemplar a realidade de ver o seu filho muitas vezes somente através de um vidro. Por isso, para muitas mães com bebês em UTI, o mais desafiador é lidar com o psicológico.

Segundo pesquisa da ONG britânica Bliss, das 589 pessoas ouvidas, 23% desenvolveram ansiedade, 16% transtorno de estresse pós-traumático, e 14% depressão pós-parto.

“Os pais têm de entender que isso é uma fase e não podem deixar de ter um projeto de vida com a criança, pois essa relação é construída com o convívio”, diz a psicóloga Angelita Wisnieski da Silva.

Contudo, se as visitas à UTI não estiverem fazendo bem, é preciso se respeitar. “Dar um tempo para assimilar e aceitar que aquele não é o bebê ideal exige uma reelaboração. Cobrança e julgamento atrapalham”, orienta.

A dupla de mulheres se ampara na qualidade da equipe de profissionais do hospital. “As enfermeiras são muito queridas com a gente, dão todo o suporte. Isso faz uma diferença grande, estão sempre acessíveis para explicar detalhes, os termos técnicos e tudo o que está acontecendo”, reconhece Adliredis.

A segurança, por outro lado, também pode vir do apoio familiar, da fé e em compartilhar experiências com outras mães na mesma situação, o que tanto Adliredis quanto Daniela reconhecem como pontos essenciais para lidarem com as dificuldades.

Para ambas, prevalece a apreensão pelos filhos que se recuperam. “É aceitar que você não pode fazer nada a não ser estar ali, em uma rotina de espera”, complementa Adliredis. Em outros casos, porém, a situação é motivo de alegria pela melhora do quadro de saúde deles. “São pequenas vitórias, todos os dias”, diz Daniela.

Para receber alta, não há uma data definida. Pode demorar dias ou meses, a depender do diagnóstico e do prognóstico do bebê. Ambos os filhos de Adliredis, e Daniela, estão internados desde o nascimento sendo 29 de novembro, e 08 de dezembro, respectivamente.

Em geral, a permanência é proporcional ao tempo mínimo que ele deveria ficar na barriga. Alguns hospitais dão alta assim que ele atinge 2 kg e 35 semanas, ou 1,9 kg e 37 semanas. Outros, esperam mais.

“Comemoro esse natal tranquila porque vou estar ao lado de quem eu mais amo”, reforça Daniela.

“Essa data era só como um dia normal, mas o desse ano vai ser especial porque não importa se festejarei no hospital ou em casa, o importante para mim é que a minha filha esteja bem e que ela não fique sozinha”, finaliza Adliredis.

Laís Seguin
lais.seguin@jpjornal.com.br

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