O Povo está nu

Por Walter Naime | 10/12/2021 | Tempo de leitura: 3 min

Sim, o povo está nu e o rei bem vestido. Esta sensação está predominando nos cenários populares e o povo está perdendo a vergonha.
Quando um rei ficou nu e desfilou pelo povo se achando bem vestido levado pelo seu desejo de status de mandatário, o povo percebeu que ele era igual a todos os de seu reinado.
Em situações em que um mandatário se alimenta de vaidades a sua conduta fragilizada fica sujeita à persuasão dos fatores e circunstâncias que o rodeiam e os imprevistos são muitos.
No caso do rei que estava nu, certo que estava vestido, foi persuadido pelo seu alfaiate, a seu pedido preparar a vestimenta mais espetacular para satisfazer os desejos de opulência perante seu povo.
Com esse propósito foram chamados os melhores alfaiates da corte e dentre eles um foi escolhido. O rei recebeu durante o preparo do material e sua confecção, a ideia que sua roupa seria tão santuosa que seria invisível e só os inteligentes notariam.
Instalado sobre essa plataforma qualquer que seja o rei, terá situações difíceis, pois seus atos não teriam coerência com as dificuldades sentidas pelos que fazem parte do seu reinado.
A integração governo e povo, exige um equilíbrio em suas ações e reivindicações colaterais, e para isso a autocrítica e o bom senso devem estar dominando os comportamentos dos dois lados para que não gere os absurdos.
No desfile pelo povo, a certeza que ele estava vestido era tida como real e teve um desfecho de ridículo em que o tiro saiu pela culatra da arma quanto à postura pretendida.
Os dias atuais trazem um cenário diferente em que o povo é que ficou nu. Os tributos impostos pela fidalguia tiraram aos poucos a liberdade, a segurança, o orgulho, o conhecimento, a auto estima, a roupa incluindo a vergonha, pois deixava a impressão que estava vestido. Sua vestimenta era invisível como no caso do rei.
Esse ato de persuasão que partira dos governantes, mentindo que a situação era boa; as doenças estavam sob controle; a economia seria recuperada; a alegria estaria nos esperando nas promessas de um governo melhor, feria a realidade do futuro.
Toda a fidalguia exibia nesse contexto as melhores e mais bonitas roupas, tendo programadas suas festas e comilanças, as viagens cada vez mais abundantes. Com os exageros se expandindo em todas as direções, os ganhos polpudos e a vida abastada ofuscava a vista de uma crise que também vestia a roupa invisível dos modernos alfaiates governamentais.
A imagem de tudo isso se transpunha aos idos de uma “Queda da Bastilha”, em que a cegueira de uma governança levou a acontecer.
É hora de acordar, esfregar os olhos e pensar que estamos falando somente de um pesadelo.
Devemos depois de uma pandemia curada voltarmos ao normal e ver que sendo só um possível pesadelo, considerar que os sonhos ruins não devem dominar a orientação dos nossos dias e que devemos usar tal acontecimento como aviso de possível realidade.
Como o virtual está na moda e os sonhos são de um modo geral virtuais, aproveitemos o susto para a reflexão, analisar o pior e passar a vestir as roupas da decência protegendo a coexistência do coletivo.

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