De que lado fica a alça da xícara?

Por Walter Naime |
| Tempo de leitura: 3 min

A cuia e a tigela são utensílios domésticos utilizados para servir líquidos ou sopas quentes e frias nas mesas do café, do almoço ou do jantar. São na maioria de barro cerâmico, de louça ou metálicas que mantem a temperatura do seu conteúdo por mais tempo estável, porém às temperaturas elevadas você tem que tomar com colher.
Com a xícara o ser humano resolveu o problema, pois juntou à cuia ou tigela uma alça ou asa como queiramos, eliminando o uso da colher caso quisesse. Se você assim proceder vai notar que a alça deu oportunidade de você usar a xícara sem queimar os dedos.
A pergunta de que lado fica a alça da xícara feita de forma genérica deixa o questionado num primeiro momento embaçado, pois se usar a mão direita para tomar algo a alça ficaria do lado direito. Se o questionado fosse usar a esquerda a alça estaria à esquerda.
No entanto após o embaraço o questionado, ainda um tanto perplexo recebe a voz alta de quem perguntou dizendo: Fica do lado de fora meu amigo. Uma pausa se faz!
Transportemos essas questões, se fosse possível para a “xícara política”, e nesse momento é que aparece a criatividade dos políticos, obtendo uma forma de acelerar o bebericar do seu café quente, colocando uma alça na xícara, ao tentar polarizar uma contenda entre duas pessoas e não de ideias para vencer a inércia mental do eleitor, tornando o debate um ponto de atração para os espectadores.
Nesse momento, começa a se formar a dinâmica do processo de indução que o debate propõe a fim de fixar os adeptos das ideias apresentadas tornando uma atração de consentimento das pessoas que se interagem levando a “imantar” o caldo do convencimento e quem melhor atuar levará a “xícara política”.
Primeiro, precisamos dizer de um modo geral que os políticos criam a ebulição dos votantes para o lado de fora da “xícara política”, tentando conduzir os eleitores para o seu curral e com sua alça afixada na “xícara política” só ele poderá pegá-la sem queimar o dedo e em seguida degustar a sua vitória, seja em forma de chá, café ou votos, conquistando o direito do poder.
O eleitor nesse processo que foi induzido pelas ideias de esquerda ou direita, vai perceber que a alça da xícara não fica nem a direita nem a esquerda, mas fica do lado de fora, onde ele vai sempre se sentir.
O processo democrático brasileiro, procura polarizar antecipadamente o voto para duas direções: para a esquerda ou para a direita dando maior velocidade a fervura popular para conseguir inicialmente o seu intento, pois os que não souberam colocar alça na “xícara política” não poderão tocar na vasilha pegando fogo, e o resto acontecerá pela adesão dos partidos de aluguel atraídos a uma das duas partes polarizadas.
Acontece que os partidos atraídos não apresentam estrutura ideológica e nem materiais, e como oportunistas não possuem capacidade de governança com raras exceções deteriorando todo o sistema com ineficácia e corrupção.
Em outros países como os EUA, o processo político se dá também por polarização antecipada por exemplo entre dois partidos: Republicanos e Democratas, como se fosse direita e esquerda, porém a seleção e debates são processados durante as prévias, onde até as alças da “xícara política” ficam muito quentes, mas daí surge a outra estratégia: Segurar a alça da “xícara política” com uma proteção nos dedos.
No Brasil, começamos a vislumbrar a tentativa de prévias.
Dizer qual dos dois modos de polarização é o melhor só o “processo democrático” é que dirá.
Confirmando que a alça da xícara fica do lado de fora e você também no aguardo de novos convites para tomar um café com bolinho daqui a quatro anos, quando o ciclo se repete com outros calores.

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