Gatos do Cemitério sofrem com superstições

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 2 min

Pessoas deixam de adotá-los porque acreditam que trazem azar ou se alimentam de humanos

Quem se aproxima do felino entende que ele só tem amor para compartilhar com seu tutor. Alguns permitem carinho, outros nem tanto, mas ele ensina que para aceitá-lo, precisa entender sua forma de amar. No entanto, para muitos gatos, nem sempre, eles têm a chance de ter um lar para chamar de seu. Além do abandono, sofrem com os maus-tratos. Há quase 50 anos, um grupo de voluntários vem se dividindo para cuidar dos gatos que vivem no Cemitério da Saudade, conhecidos na cidade como “Gatos do Cemitério”. Apesar da luta incessante para castração, cuidados e alimentação, hoje a população estimada é de 700 felinos.

Além de outros 80 que estão mais debilitados e estão em um abrigo. Apesar do local contar com câmeras ainda há pessoas que abandonam mais gatos naquele local.

Engana-se quem pensa que gato se vira sozinho, pois sente fome, sede, frio, fica doente e morre. Como se tudo isso não bastasse, a Elcian Granado, que é uma das líderes do grupo diz que os gatos também sofrem com o preconceito.

“Infelizmente, muitas pessoas deixam de adotar gatos com a gente porque pensam que eles levarão azar, ou se alimentam de humanos. Pode parecer bobagem, mas já ouvimos isso dezenas de vezes”, relatou Elcian.

A ativista disse que durante o tempo em que permanece no grupo já acompanhou uma matança de pelo menos 50 gatos em 2012 e 2014. “Não dá para acreditar o que algumas pessoas tinham coragem de fazer. Já encontramos filhote com o corpo repartido ao meio ao lado da mãezinha morta. Já encontramos ninhadas inteiras mortas”, desabafou a voluntária, que informou ainda que os responsáveis não foram identificados.

DESPESAS
Para cuidar de toda essa galera, os poucos voluntários gastam 40kg de rações por dia, além e cinco latas de sachês para os felinos mais idosos, que sentem dificuldades para se alimentar.

O grupo participa de pedágios e feiras para ajudar a conseguir recursos para suprir as despesas, pois somente em 2021 já conseguiram castrar 278 gatos.

Todos os mansos foram castrados, mas vários são muito arredios e não aceitam a aproximação.

COLABORAÇÃO
O grupo continua com a venda das agendas dos Gatos do Cemitério, que estão sendo comercializadas a R$ 35, na Farmácia Animalia.

“Nossa despesa é muito alta, lançamos a Campanha dos R$ 10, qualquer ajuda é bem-vinda. Realizamos a prestação de contas de tudo o que recebemos”, completou Elcian. Quem quiser colaborar pode fazer a doação pelo Pix 129.929.618-17 (Simone Nunes)

Cristiani Azanha
crisazanha@jpjornal.com.br

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