Redução do ICMS não baixou preço da gasolina; expectativa é de novas altas para combustíveis

Por Laís Seguin |
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Conforme pesquisa da ANP, o preço da gasolina comum subiu R$ 0,10 o litro entre as 2 semanas de novembro

A queda de cinco pontos percentuais no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) não surtiu efeito de baixa no preço da gasolina vendida em Piracicaba. Segundo levantamento da ANP (Agência Nacional do Petróleo), o valor máximo do litro nos postos da cidade subiu R$ 0,10 nas últimas duas semanas. No dia 29 passado, o Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) decidiu pelo congelamento do imposto estadual. De lá para cá, houve tempo suficiente para o estoque de cada ponto de venda zerar e uma nova remessa ser adquirida com menor incidência da taxação.

Usando as apurações da ANP, no comparativo entre a última semana de outubro e a segunda de novembro, a gasolina ficou 6,35% mais cara, indo de R$ 6,299 para R$ 6,699 o preço máximo do litro – na primeira semana deste mês, o consumidor encontrou o combustível por até R$ 6,599. O diretor regional de Piracicaba da Recap (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Campinas e Região), Augusto César Mafia, confirma a tendência registrada.

“O aumento do etanol e da gasolina, nas últimas semanas, superou o congelamento do PMPF [preço médio ponderado a consumidor final, índice da Sefaz], o que já era esperado de certa forma”, declara o dirigente da Recap. E as perspectivas para o comércio do combustível fóssil não são boas para o consumidor. “Nos últimos dias, o preço está estável, mas, a perspectiva ainda é de alta”, informa Mafia.

Na região Sudeste, a ANP mostra que o preço chegou a R$ 7,999 no Rio de Janeiro. No Estado de São Paulo, as cidades com valores ‘mais salgados’ foram Itanhaém (R$ 7,059), Santo André (R$ 7,099), Birigui (R$ 7,099) e Guarujá (R$ 7,199).

POR QUÊ?
Dentre os motivos apontados por analistas do mercado, a pressão no mercado interacional pelo petróleo e o dólar valorizado continuam pressionando a compra do combustível para o país. Também a retomada na atividade com a vacinação contra covid-19 e a crise de gás natural na Europa são outros fatores com reflexo na baixa das reservas de petróleo do mundo ao menor nível desde o início de 2015.

Entretanto, o relatório mensal publicado nesta semana pela AIE (Agência Internacional de Energia) aponta melhora em favor do equilíbrio entre a oferta apertada e a demanda, com aumento na produção de 1,5 milhão de barris de petróleo por dia ainda em 2021.

Por ora, o Brasil vem amargando altos preços com impacto direto na inflação: ontem (quarta-feira), o Ministério da Economia revisou para cima a projeção para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em 2021. De acordo com a nova grade de parâmetros macroeconômicos da Pasta, a estimativa para a alta de preços neste ano passou de 7,9% para 9,7%.

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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