No ano passado, dos 4.911 recém-nascidos, 45 morreram, em 2019 foram 4.927 nascidos e 52 mortos
Piracicaba contribuiu para que o Estado de São Paulo atingisse a menor taxa de mortalidade infantil da história em 2020. Nesta quarta-feira (10), o governo paulista divulgou dados da publicação anual feita pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), que apontam a taxa de 9,75 mortes de crianças menores de um ano por mil nascidos vivos. Em Piracicaba, no ano passado, dos 4.911 recém-nascidos, 45 foram a óbito, resultando no CMI (Coeficiente de Mortalidade Infantil) de 9,16 por mil nascidos vivos. Em 2019, dos 4.927 nascidos vivos, 52 morreram, o que resultou o coeficiente de 10,6.
De acordo com o pediatra e coordenador do programa Municipal Saúde da Criança, Rogério Tuon, o coeficiente de mortalidade se refere ao número de bebês que morrem antes de completar um ano de vida. Para o pediatra, apesar de o enfrentamento da pandemia de covid-19, 2020 foi um ‘ano bom’ no que se refere a redução da mortalidade infantil em Piracicaba.
Segundo ele, fatores que vão desde a macroeconomia, como desemprego, até questões locais como surtos de dengue ou zika, influenciam no controle da mortalidade. Tuon destaca que, desde 2004, quando a cidade vivenciou o auge da mortalidade infantil – foram 75 recém-nascidos mortos – a Saúde do município determinou um pacto para que a partir dos próximos anos, o CMI não fosse superior a dez.
No ano seguinte, a Secretaria de Saúde criou o Pacto pela Redução do Óbito Infantil, com o objetivo dar a atenção necessária aos bebês e às grávidas, por meio da criação de ações e protocolos clínicos de atendimento para as principais patologias que podem levar ao parto prematuro e ao óbito - tanto do bebê quanto da mãe. “Nós montamos uma rede envolvendo Conselho Tutelar, Secretaria de Educação e outros setores, onde todos podem ajudar”, afirmou o médico. Entre as ações realizadas pelo Pacto, Tuon destaca o monitoramento mensal feito por telefone às gestantes do município, desde 2009. Quando o sistema de
saúde recebe a informação de que a mulher está grávida, ela passa a ser consultada mensalmente – quando a gestação não oferece riscos à mãe a ao bebê. “Nós perguntamos a ela como está ocorrendo o atendimento na rede pública”, explicou acrescentando que já houve interesse da rede privada conhecer o serviço de monitoramento.
O pediatra destacou que a mortalidade infantil é o termômetro de como está a atuação da rede pública de saúde. Já as causas da moralidade infantil, segundo ele, são as patologias obstétricas que levam ao parto prematuro: pressão alta, incompetência do colo uterino e infecção do trato urinário. De acordo com ele, 70% dos bebês que morrem antes do primeiro ano são prematuros e morrem no primeiro mês de vida. Em setembro deste ano, a equipe do Pacto realizou capacitação continuada entre todos os trabalhadores da atenção básica da rede que prestam atendimento às gestantes e às crianças, com o intuito de fortalecer todas as ações implementadas.
“Os profissionais de saúde são fundamentais para a redução da mortalidade, a eles meu agradecimento e reconhecimento”, afirmou o pediatra.
Beto Silva
beto.silva@jpjornal.com.br
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