Bram Stoker, o ‘pai’ do Drácula

Por Rubinho Vitti |
| Tempo de leitura: 3 min

Mortalmente pálido. Unhas cortadas em pontas afiadas. Dentes projetados como presas. Elegância de um conde com a ferocidade de um vampiro. A figura descrita é uma das mais lembradas em 31 de outubro, quando se celebra o Halloween, principalmente em países ocidentais do hemisfério norte.

Drácula, um dos monstros mais famosos da fantasia mundial, tem sua origem na Irlanda, pelo menos literalmente falando. O predador mais sanguinário de todos os tempos foi criado por Bram Stoker, nome que integra a longa lista de autores irlandeses de renome.

Nascido em Dublin, no ano de 1847, Stoker ficou famoso por seu romance de terror gótico, escrito já depois de ter se mudado para a Inglaterra, em 1897. A fama, porém, ele não chegou a conhecer, já que filmes, peças de teatro e outros livros sobre o conde da Transilvânia perpetuaram sua escrita bem depois de sua morte.

Stoker estudou matemática na Trinity College, mas seu trabalho como assistente do ator Sir Henry Irving, na década de 1870, acabou se tornando primordial para sua carreira. Ele também foi funcionário público no Dublin Castle, local onde vivia a realeza britânica na Irlanda.

Outro trabalho foi ser redator de um jornal, o Dublin Evening Mail, como autor de resenhas de produções teatrais, além de contos.

O autor irlandês se mudou para Inglaterra quando recebeu o convite para ser produtor no Lyceum Theatre. Por lá, ele também continuou escrevendo.

Lançado em 1897, Drácula foi, de cara, um sucesso de vendas e de crítica. O romance de terror gótico fez o mundo conhecer Conde Drácula e estabeleceu muitas convenções sobre vampiros em toda a literatura e audiovisual subsequentes.

No romance de Stoker, Drácula tenta se mudar da Transilvânia, sua terra natal, para a Inglaterra, com o objetivo de encontrar sangue novo e espalhar a maldição dos mortos-vivos. Por lá, ele acaba encontrando o professor Abraham Van Helsing, um caçador de vampiros e que se torna seu verdadeiro arqui-inimigo.

A ideia do personagem, porém, não surgiu do acaso. Foram sete anos de pesquisa de Stoker sobre folclore europeu e histórias de vampiros. O ensaio de Emily Gerard, de 1885, chamado  "Superstições da Transilvânia" foi o que mais chamou a atenção, por conter o mito do vampiro.

O vampiro também é inspirado por um cruel governador romeno, Valáquia Vlad III Drácula, também conhecido como Vlad, o Empalador. O seu castelo, inclusive, é um famoso ponto turístico da Romênia, mesmo Stoker nunca tendo pisado por lá -- e nem o tal do Vlad --, mas serviu de referência para a descrição da residência do personagem no livro.

Stoker morreu em Londres, em 20 de abril de 1912. Apesar do sucesso do livro, ele não viu sua obra se tornar popular mundo afora.

Nosferatu, de 1922, e Drácula, de 1931, foram filmes inspirados em seu romance e que deram o pontapé para o mito do vampiro se tornar parte do folclore mundial. Outros filmes sobre os monstros semi-humanos com presas afiadas também foram produzidos, mas nenhum chega perto da beleza imortal de Drácula, de Bram Stoker, de 1992.

Podemos citar ainda Entrevista com o Vampiro, de 1994, e Os Garotos Perdidos, de 1987, todos com influência direta na obra de Stoker.

Em Dublin, na Irlanda, todos os anos, na época do Halloween, Bram Stoker é lembrado, seja em peças teatrais, eventos gastronômicos até atividades infantis. Tudo para relembrar o autor irlandês, que levou o nome do país com sua figura vampiresca.

Além desta, há celebrações diversas durante todo o ano para honrar nomes como Oscar Wilde, James Joyce, Samuel Beckett, Bernard Shaw e tantos outros autores irlandeses que fazem da pequena Irlanda um dos países mais lidos do mundo.

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