Ecossistemas de negócios transformando o varejo Parte II

Por Antonio Carlos Giuliani |
| Tempo de leitura: 3 min

O que significa ecossistema de negócios? É um modelo constituído por diversas empresas independentes e especializadas em suas atividades, com fortes lideranças que têm ampla autonomia para conduzir seus negócios. A vantagem do modelo vem da existência de um agente central que coordena estrategicamente esse ecossistema e da forte interconexão e sinergia entre empresas de consumo e de varejo. Os diferenciais competitivos são resultado da união e da combinação de competências, o que gera inovações e disrupções nos diversos setores em que as empresas atuam, e isso permite ganhos de escala, com redução de custos e aumento de eficiência. Tais ecossistemas operam de forma colaborativa entre si, são digitalizados, orientados por dados e focados no consumidor. Em tempos de economia volátil, os ecossistemas de negócios criam a nova realidade e não precisam se adaptar a ela. Tudo isso acontece de forma absolutamente dinâmica e é repensado a cada momento, sendo balizado por realidades setoriais e locais onde o modelo é utilizado. A China está vivendo uma realidade de mercado que está dez ou vinte anos à nossa frente, e a vantagem disso é que podemos nos preparar hoje para o futuro de nosso mercado. A velocidade de transformação do mercado chinês é superior se comparada com a do Ocidente, cujo ambiente de negócios é incerto devido ao sistema de governo. Como a China é o principal expoente do conceito de ecossistemas de negócios, pode ser um ponto de partida para o mercado brasileiro. Nas relações comerciais no modelo tradicional, há pouca troca e desenvolvimento conjunto, número reduzido de parceiros e relações entre empresas do mesmo setor, como exemplo, pode-se citar a indústria automotiva. As empresas estruturadas em ecossistemas de negócios são desenhadas para ocorrer o mínimo de atrito, o que permite trazer inovação e diferenciais mediante suas competências, uma vez que as relações acontecem de muitos para muitos em redes. A empresa Alibaba, nascida em 1999, focada no e-commerce e transformada num ecossistema de negócios, apresenta um valor atual de mercado de US$ 632 bilhões (28/12/2020), superior ao do Walmart, maior varejista do mundo, fundada em 1962 e que vale US$ 410 bilhões. Empresas como Magalu, Americanas-B2W, Via Varejo, Grupo Pão de Açúcar, Carrefour, Rappi, iFood e Uber têm demonstrado a opção pelos ecossistemas ao incorporarem novos negócios a seu portfólio. A Americanas, na primeira quinzena de setembro deste ano, adquiriu 100% das ações da Hortifruti Natural da Terra, maior rede varejista especializada em produtos frescos com foco em frutas, legumes e verduras do Brasil. O valor da transação foi de R$ 2,1 bilhões. O movimento da Americanas confirma como o mercado varejista brasileiro está em acelerada transformação, combinando consolidação, digitalização e formação de ecossistemas. Recomenda-se que as empresas nacionais fiquem atentas, porque é esperada a chegada dos ecossistemas internacionais, principalmente os dos chineses, para competir no País. Muitos perguntam se as lojas independentes terão espaço entre os grandes estabelecimentos comerciais, já que esse formato de negócio fica pressionado pelos gigantes do setor, os quais têm maior poder de negociação, musculatura, produtividade e infraestrutura. A resposta é sim, elas terão espaço, mas precisam inovar no relacionamento com os clientes, para que o impacto não afete seus negócios. Os principais ecossistemas de negócios em operação no mercado brasileiro já caminham com iniciativas convergentes, assim como estão desenvolvendo uma robusta estrutura de tecnologia, de know-how e de infraestrutura que possibilita a conexão com os ecossistemas de outros varejistas.

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