Professora quer a estatística mais ‘popular’ entre os pesquisadores

Por Laís Seguin |
| Tempo de leitura: 2 min

Ela é autora de cerca de 40 livros e assina diversos artigos publicados no Brasil e no exterior

Doutora em estatística, com pós-doutorado na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Universidade Yale, a engenheira agrônoma e professora são-carlense Sonia Vieira, defende a estatística como ferramenta necessária para solucionar problemas científicos. Ela confessa que colaborar com pesquisadores sempre foi uma fonte de satisfação pessoal. “Essa atividade me colocou em contato com profissionais das mais diversas áreas e, por conta disso, aprendi muito com eles. Espero que eles também tenham aprendido comigo”, confessa a autora de cerca de 40 livros e diversos artigos publicados no Brasil e no exterior sobre o tema.

Sonia atuou como professora de estatística na FOP (Faculdade de Odontologia de Piracicaba) por quase 25 anos – onde se aposentou - e lecionou em outras universidades como Faculdade de Medicina da Unesp (Universidade Estadual Paulista), campus de Botucatu, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), no Departamento de Estatística da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e odontologia da São Leopoldo Mandic.

Nessas instituições, além de ministrar aulas, assessorou pesquisas. A professora defende que a estatística deve se tornar popular entre estudantes e pesquisadores. “A estatística é, sem dúvida alguma, a estrutura do método científico. Hoje se exige dos profissionais nas mais diversas áreas mais conhecimento do que tradicionalmente se ensinava nas escolas. Na área específica a qual me dediquei, que é a de saúde, assumiu grande importância a medicina baseada na evidência, que é o uso consciente e judicioso da melhor evidência disponível para cuidar do paciente”, aponta.

Para ela, não se torna hoje bom profissional, em qualquer área, sem saber falar inglês, usar um computador e ter firme conhecimento de estatística ou, ao menos, conhecer bem as potencialidades e as restrições de procedimentos estatísticos. “Nestes tempos de pandemia, a ciência ganhou o grande público, que já fala em ensaios clínicos, técnicas experimentais que envolvem dois grupos, tratado e controle. Mas é preciso mais. Além dos profissionais, formuladores de políticas públicas também precisam conhecer estatística, não só para entender e respeitar levantamentos de opinião, além de se pautar por seus resultados, como para ter a responsabilidade de julgar a consistência de um pesquisa,e utilizar da ciência para tomar atitudes”, explica a professora citando como exemplo o fato de o grande público ter entendido que a vacinação é o método eficiente para a prevenção de doenças, em particular da covid-19.

A professora avalia que os problemas científicos reais não podem ser resolvidos mecanicamente, assim como o papel e o computador que aceita tudo que é escrito e os dados com facilidade.

“Mas o que faz com eles? Ainda somos nós, pesquisadores e estatísticos, que decidimos a análise a ser realizada”, observa.

Beto Silva
beto.silva@jpjornal.com.br

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