Etanol sobe mais de 125% em 6 anos, acima da inflação de 35%

Por Laís Seguin |
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Gasolina e diesel acumulam alta de 81% e 71%, respectivamente; Petrobras autorizou ontem novo reajuste

Os preços dos combustíveis em Piracicaba, de 2015 a 2021, subiram acima do nível da inflação acumulada para o período, de
35,19%, e as altas foram: gasolina com 81,84%, diesel com 71,45% e etanol, 127,33% – o balanço foi feito com base nos
dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo). Sobre o que tem ocorrido com a matéria-prima do álcool, a cana-de-açúcar, o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) explica que, na safra anterior (2020/21), a demanda ficou fragilizada pela covid-19 e pressionou os valores do etanol, mesmo diante da menor produção, e, na atual temporada (2021/22), o clima desfavorável e a quebra de produção têm impulsionado os preços dos biocombustíveis no segmento produtor
no Brasil. Ontem (28), a Petrobras anunciou novo reajuste do diesel, de 8,9%.

A Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores) e outras entidades pedem à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) um novo contrato com entidade técnica para elaborar estudo de atualização do piso mínimo do frete – até o início deste ano, os levantamentos eram feitos na cidade pelo Esalq-Log (Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). O presidente da Abrava, Wallace Landim, não descarta uma possível nova greve dos caminhoneiros.

Nos últimos seis anos, o diesel nas bombas de postos em Piracicaba pulou de R$ 2,799 o litro para R$ 4,799, uma alta de mais de 70%. A reportagem do Jornal de Piracicaba ouviu alguns caminhoneiros que classificam a situação como difícil para a atuação profissional e apontam inviabilidade do trabalho, principalmente para os autônomos.

ETANOL
Segundo a pesquisadora do Cepea/Esalq, Ivelise Rasera Bragato Calcidoni, em análise publicada nesta segunda-feira (27), “a expectativa de agentes de mercado é de preços firmes até o início da próxima safra 2022/23”. Em 2015, o valor do biocombustível estava em R$ 2,199, o que hoje é cobrado a R$ 4,999.

“Levantamentos do Cepea mostram que os preços médios dos etanóis hidratado [usado para combustível] e anidro no Estado de São Paulo fecharam os cinco primeiros meses desta safra (de abril/21 a agosto/21) com fortes altas, em termos reais, frente aos registrados no mesmo período da temporada 2020/21. O valor médio, considerados os indicadores Cepea/Esalq mensais de abril a agosto, do etanol hidratado subiu 38,6% na comparação com o mesmo período de 2020, em termos reais”, explica Ivelise sobre o que tem ocorrido no âmbito da usina.

GASOLINA
A do tipo comum, variou de R$ 3,299 em 2015 para os atuais R$ 4,999. Segundo a FUP (Federação Única dos Petroleiros), os impactos nos combustíveis fósseis têm motivo no PPI (Preço de Paridade de Importação), que foi implementado pela direção da Petrobras em outubro de 2016. “Só no governo de Jair Bolsonaro, o gás de cozinha subiu 73% nas refinarias da Petrobras, a gasolina aumentou 57% e o diesel, 45%. Desde que assumiu a presidência do Brasil, em janeiro de 2019, a inflação acumula 15% (IPCA) e o preço do barril de petróleo subiu 31%. Ou seja, os combustíveis foram reajustados com valores muito acima
da inflação e até mesmo da variação do petróleo no mercado internacional”, explica em nota a FUP.

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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