Vegetação nativa é de 9% na cidade: o pior índice na região

Por Clube JP |
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Piracicaba perde para as vizinhas São Pedro, Águas, Santa Maria; 70% dos municípios são cana-de-açúcar

Piracicaba possui, atualmente, 9% da vegetação natural, o que corresponde a uma área de 12 mil hectares – cerca de 57 campos de futebol no tamanho oficial. Na região, a cidade é a que menos tem área verde originária da Mata Atlântica e Cerrado. O dado é do estudo realizado pelo projeto “Corredor Caipira – Conectando Paisagens e Pessoas” e é ressaltado como preocupante pelos membros da iniciativa no Dia da Árvore, comemorado hoje (terça-feira). O projeto é realizado pelo Nace-Pteca (Núcleo de Apoio à Cultura e Extensão Universitária em Educação e Conservação Ambiental) da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) e pela Fealq (Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz), com patrocínio da Petrobras.

“Essa é a realidade de tantos municípios no nosso país. Com isso, fica evidente a importância de recuperar as áreas desmatadas e conservar as florestas que ainda temos. As árvores prestam serviços essenciais para a humanidade, como refrescar o ambiente, melhorar a umidade do ar, favorecer a conservação dos rios e das águas”, afirma o engenheiro florestal Germano Chagas, coordenador técnico do projeto do Corredor Caipira. Na região do Corredor – que compreende Piracicaba, São Pedro, Águas de São Pedro, Santa Maria da Serra e Anhembi – as demais cidades tem remanescentes maiores que Piracicaba: 15% (4 mil ha) em Santa Maria da Serra; 16,5% (10,5 mil ha) em São Pedro e Águas de São Pedro; e 18,5% (13,5 mil ha) em Anhembi. Os cinco municípios da Área de Influência Direta somam 300 mil hectares. Atualmente, mais de 70% da área dos cinco municípios é ocupada por cana-de-açúcar (26,3%), pastagem (25,5%) e mosaico de agricultura e pastagem (20%).

Os índices foram calculados pela equipe do Corredor Caipira com base em dados de uso e ocupação do solo fornecidos pelo projeto MapBiomas Brasil. A vegetação natural é composta por formações de Mata Atlântica e Cerrado. Originalmente se estendia por toda região e hoje cobre apenas 13,3% (39,5 mil ha) da Área de Influência Direta, sendo representada em sua maior parte por fragmentos pequenos e isolados. “Considerando o cenário atual de degradação, é essencial que se estabeleçam estratégias de recuperação para a região, visando reduzir os efeitos da fragmentação e da perda de habitat, de forma a garantir a conservação da biodiversidade e a oferta dos serviços ecossistêmicos das áreas de vegetação natural”, afirma a engenheira agrônoma Luciana Cavalcante Pereira, responsável pelo diagnóstico de paisagem e monitoramento do projeto.

BAIRROS Um dos últimos estudos sobre quantidade de árvores da cidade apurou a situação em cinco bairros: o pior índice foi encontrado no São Dimas, com uma arborização de 5,5%. Sob orientação do professor do Departamento de Ciências Florestais da Esalq, Demóstenes Ferreira da Silva Filho, também está ruim a situação dos bairros Vila Independência (14,5%), São Judas (13%) – segundo o estudo, o ideal é ter um índice de arborização entre 20% e 30%. Os bairros Santa Cecília e Cidade Jardim estão entre os melhores com cobertura arbórea: 20,9% e 20,6%, respectivamente.

Cristiane Bonin

cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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