Organização diz que usou sangue falso e descarta danos a igreja

Por edicao_jp |
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Em comunicado, organização do ato criticou descaso com o largo da Igreja São Benedito

A organização do movimento Grito dos Excluídos e Excluídas de Piracicaba informou ontem que derramou ‘sangue falso’ nas escadas da igreja de São Benedito, durante manifestação no feriado de 7 de setembro. Segundo o comunicado dos organizadores, trata-se de uma mistura de água, farinha de trigo e corante alimentício que foi usado no trajeto do ato e no ponto final, o largo da Igreja São Benedito, para simbolicamente representar o sangue de centenas de milhares de brasileiros e brasileiras mortos durante a pandemia de covid-19.

“Como a criatividade e encenação são marcas históricas das manifestações populares, o Grito dos Excluídos e Excluídas em Piracicaba para sensibilizar nosso povo frente a naturalização da morte e a banalização da vida”, informou a organização.

Segundo o texto, grupos bolsonaristas denunciaram o sangue falso como depredação do patrimônio público e responsabilizaram a vereadora Rai de Almeida (PT) pelo ato. “A denúncia desses grupos é mais falsa que o sangue que sairá sob a primeira chuva, ao mesmo tempo, nada mais coerente com a sua prática, pois são figuras e grupos que se ergueram e se sustentam com “fake news”, que dividem e pregam a violência armada do povo contra o povo”, afirmou.

No comunicado, a organização cita o descaso com o largo da Igreja São Benedito. “São evidentes para quem passa pelo local, como a tinta desgastada e o mato crescendo na área”, traz o texto.

Em entrevista a uma emissora de rádio nesta quinta-feira (9), o bispo de Piracicaba, dom Devanir Araújo da Fonseca comentou sobre o vandalismo. No momento da entrevista o religioso ainda não tinha conhecimento da autoria do que foi considerado vandalismo. “Quando me mandaram as imagens daquilo que aconteceu ali, nós não sabemos quem foi, temos as imagens que foram encaminhadas porque cabe à polícia fazer a investigação e apurar os fatos”, afirmou.

“Todo ato de violência deve ser proibido da maneira que deve ser feito, não podemos deixar que um ato de violência acontece sem um manifesto”, afirmou.

RESTAURO
Durante a entrevista, o bispo informou que o processo de restauro da igreja São Benedito está em andamento e deve ser finalizado no próximo mês. Dom Devair afirmou que a igreja tem uma importância histórica para a cidade como patrimônio.

“Não é um patrimônio da igreja, é um patrimônio histórico”, acrescentou.

Beto Silva
beto.silva@jpjornal.com.br

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