Viver a vida como um overlander

Por Larissa Anunciato |
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Normalmente sem endereço fixo, os overlanders atravessam continentes por meio de seus veículos

Quem nunca pensou, ao menos uma vez, em fazer um mochilão pela Europa ou pela América Latina? A busca de viajar sem restrições ou viver uma verdadeira aventura enquanto pilota sua moto, ou carro por lugares diferentes ao longo de um período indefinido pode soar romântico, mas é normalmente um trajeto difícil e que necessita de alguns preparos.
Pessoas que são seduzidas pelo desejo de viajar desta forma são denominadas “overlanders” (terrestres em português), e é uma comunidade de pessoas, que cruzam continentes inteiros com motos, veículos 4x4 ou caminhões em viagens cuja duração não é medida em dias ou semanas, mas em meses e anos.

O número de pessoas dirigindo ao redor do mundo revela um fluxo constante – conforme novos viajantes partem em seus empreendimentos pessoais, outros retornam para sua vida cotidiana. Christopher Many, viajante e pesquisador há quase um quarto de século, coletou dados das autoridades de imigração e alfândega nas passagens de fronteira das rotas mais populares (do Cairo à Cidade do Cabo, do Alasca a Ushuaia e da Europa a Singapura) que indicam que antes da pandemia, em qualquer dia, pelo menos 12 mil indivíduos estavam circundando o globo sobre rodas apenas nessas rotas.

Esses dados revelam, ainda, que quase 80% deles são europeus, embora as viagens motorizadas independentes estejam se tornando populares entre os aventureiros da Ásia e da América Latina. Geralmente, os viajantes aproveitam a oportunidade de pegar a estrada tirando um ano sabático após a universidade ou durante a carreira profissional. As viagens podem durar uma década ou mais, dependendo das finanças, saúde pessoal ou do desejo de constituir uma família. Mas há também os overlanders permanentes, aqueles para quem viajar não é uma ruptura da normalidade, mas sim um estilo de vida, como é o caso de Christopher.

“Iniciei minha primeira viagem em 1997 pilotando uma moto e acreditando que não passaria mais do que um ano na estrada. Isso não aconteceu como planejado – gastei três anos indo da Alemanha até a Nova Zelândia cruzando a Índia. A segunda jornada foi um tour de force ao redor do mundo entre 2002 e 2010 com um Land Rover 1975 – percorri 200 mil quilômetros e visitei 100 países. Depois vieram mais seis anos, novamente de moto, dirigindo da Europa até a Austrália. Hoje, 24 anos depois, eu continuo fazendo o que mais amo: tentando descobrir o que existe depois do horizonte”, ele comenta.

Apesar de atravessar fronteiras faça parte do cotidiano dos overlanders, devido a pandemia do novo coronavírus, essa liberdade de ir e vir entre países sumiu para evitar contágios internacionais. Vários países não estão emitindo vistos de turista ou tiveram suas fronteiras fechadas, de acordo com as informações divulgadas pela OMT(Organização das Nações Unidas para o Turismo). Overlanders não podem entrar, e alguns não podem sair ficando presos

VOLTA PARA O NORMAL

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já contabiliza em todo o mundo cerca de 1,6 bilhão de pessoas com pelo menos uma dose da vacina contra a Covid-19. Com o aumento de pessoas imunizadas e a diminuição da média de morte, a expectativa para a retomada do turismo é bastante elevada. Como qualquer tipo de comunidade, os overlanders também esperam que o mundo se recupere da pandemia antes de 2024 para que a vida itinerante também possa voltar ao “normal”.

Larissa Anunciato
larissa.anunciato@jpjornal.com.br

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