Hoje (29) é comemorado, no Brasil, o Dia Nacional de Combate ao Fumo, data instituída em 1986, com o objetivo de conscientizar e mobilizar a população sobre os riscos decorrentes do uso do cigarro. Na semana passada a Associação Ilumina e o Cratod (Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas), vinculado à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, realizaram um curso destinado aos profissionais de saúde, técnicos de nível superior que trabalham no SUS (Sistema Único de Saúde).
No final do curso, os médicos aproveitaram para fazer uma análise sobre como devem contribuir para a redução do número de fumantes. O vice-presidente da SBCCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço) Marco Kulcsar, - instituição que liderou, em nível nacional, a campanha Julho Verde de prevenção - aproveitou para destacar a responsabilidade dos médicos.
“Se cada um dos 900 associados da SBCCP contribuir para a redução dos efeitos do tabaco, será um grande avanço. Por isso, quero levar esse curso, principalmente para os formandos e para os médicos que estão em formação”. O tabaco é uma doença grave que leva a graves sequelas, “então a sociedade precisa se mobilizar”, acrescentou Kulcsar.
A especialista em cirurgia de câncer de cabeça e pescoço e fundadora da Associação Ilumina, Adriana Brasil, lamenta que o SUS não tenha um modelo de financiamento para a prevenção do câncer. O atual sistema é baseado em pagamento para tratamento e cirurgia e não em evitar que a doença evolua, alertou.
De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), o tabagismo é a principal causa de morte evitável no planeta, sendo considerado, portanto, um problema de saúde pública. Estima-se que cerca de 200 mil pessoas morram todo o ano no Brasil em decorrência do fumo. Esse número salta para cerca de 4,9 milhões em perspectiva mundial.
Adriana defende, para o dia Nacional de Combate ao Fumo, uma série de ações para mudar o quadro. “Precisamos quebrar paradigmas em benefício dos pacientes. É preciso engajar o médico nas ações de prevenção. Muitos acham que a prevenção não é responsabilidade dele e sim de outros profissionais, quando na verdade, o médico que está cuidando do paciente tem a oportunidade rara de mudar seus hábitos”, apontou.
A cardiologista e idealizadora da campanha antitabagista Paradas pro Sucesso, Juliana Previtalli, destaca os males para a própria saúde e para as pessoas com quem o fumante convive, o (chamado fumante passivo), na família, no trabalho ou socialmente já são de amplo conhecimento público.
“Mas não custa nada repetir: provoca vários tipos de câncer que afetam as vias respiratórias, boca, nariz, laringe, faringe, pulmões e causam doenças coronarianas como o infarto. Então, a necessidade de uma decisão firme de mudar o rumo da própria vida é imprescindível”, alerta.
A médica cita ainda os os danos políticos/econômicos que repercutem diretamente na necessidade de programas públicos de saúde para tratamento das doenças causadas pelo vício de fumar e que exigem alto investimento por causa da complexidade.
"Conforme se comprova no site da Rede ACT, o cigarro mata por ano, em média, 161 mil brasileiros que custam cerca de R$ 92 bilhões ao sistema público de saúde”, apontou.
Beto Silva
beto.silva@jpjornal.com.br
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