‘Amor de Mães’: o nascimento de um alento a mulheres carentes

Por Cristiane Bonin |
| Tempo de leitura: 3 min

A fundadora do projeto conta como enxergou necessidades latentes e recorrentes de inúmeras mães

“Meu trabalho social tem mais de 10 anos, uma tradição em toda minha família. O ‘Amor de Mães’ nasceu como Mãezinhas de Piracicaba. Um dia, estava no Facebook e vi uma mãe desesperada por um leite. O bebe só tinha mais uma mamadeira. Era uma fórmula, custava uns R$ 50, e ela estava desesperada. Era um bebê de 15 ou 20 dias. Eu tinha uma amiga. Nós duas estávamos com cartão estourado. Fizemos uma ‘vaquinha’ e fomos entregar. A hora que chegamos, nos deparamos com a realidade: atrás desse bebê recém-nascido, tinha outro de um ano, e outro de dois anos e meio e o mais velho tinha 5 anos. E essa criança de cinco anos carregava o irmão de um ano porque o bebê chorava, e chorava, e chorava… A hora que nos deparamos com essa realidade foi um verdadeiro choque e percebi que tudo que fazia, nada estava fazendo. Que eu não conhecia aquela realidade de periferia. Naquele instante, saímos e fizemos uma compra no mercado. Na volta, eles olharam para gente – e eu fico emocionada cada vez que eu conto essa história – desesperados de fome e aquela mãe sem saber o que fazer. Nós fizemos uma comida para essas crianças e ficamos ali algum tempo, conversando com todos. A hora que saímos, em forma de gratidão, ganhamos um saco de roupa de bebê. Ela não tinha o que nos dar, mas ela estava muito feliz naquele momento. Era um saco grande de roupa de bebê. E um ponto de interrogação ficou: o que vamos fazer com isso? Na volta, deu um estalo: colocar em embalagens e postar no Face. Da mesma forma que ela postou pedindo, a gente posta doando. Foi aí que nos deparamos com a realidade, com aquele momento de pandemia e sobre quantas, quantas, mulheres estavam passando por necessidades. Em questão de segundo vieram cerca de 40 mulheres dizendo que precisava das roupas.”

Este é o relato mais forte de Samira Prado, 52, fundadora do ‘Amor de Mães’, projeto que entrega kits quinzenalmente às mulheres carentes. Além da doação, Samira recebe essas mães com café da tarde e proporciona, com auxílio do projeto Aquirê, assistência de saúde. É a própria Samira quem recebe e cadastra as mulheres atendidas pelo ‘Amor de Mães’.

“Cada uma tem sua história e dificuldades. São mães solo, que perderam o marido, tem o marido desempregado, são mulheres viciadas, que se prostituíram, mulheres que traficavam, mulheres presidiárias. A necessidade não é só a material, mas sim espiritual, de carência muito grande.”

Com planos de se tornar oficialmente uma ONG (Organização Não Governamental) e ter uma sede – atualmente, a família cedeu casa, inclusive dormitórios, para fazer o projeto funcionar e divide o pequeno imóvel com outras três crianças sob os cuidados de Samira – foi montada uma ‘vaquinha’ para construção de uma sala para o projeto – acesse em ‘abacashi.com/p/sedeamordemaes’. O ‘Amor de Mães’ também precisa de doação de alimentos (principalmente leite), roupas, produtos de higiene e fraldas – contate (19) 99117-5580.

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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