Aprender: Desafio que a pandemia de covid-19 trouxe para a educação

Por Clube JP |
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Educadora desenvolve práticas que levam o estudante a manter a concentração

A criatividade que tem como objetivo desenvolver o interesse do aluno para os conteúdos do currículo escolar sempre foi um desafio para os educadores das redes públicas e privadas, assim como da rede suplementar, composta por professores particulares e empresas focadas em reforço escolar. A pandemia que teve início ainda no primeiro semestre do ano passado, veio reforçar a necessidade de que novas metodologias sejam aplicadas, contribuindo para que os reflexos no processo de aprendizado tragam o menor prejuízo possível aos alunos.

Desde 2013, a professora da rede particular Flávia Maniero, formada pela Universidade Federal de São Carlos em Biologia e pós-graduada em gestão Escolar pelo Pecege/USP tem aplicado no seu projeto Estudo Certo, o resultado de pesquisas que têm como base metodologias ativas, o que resultou no programa Aprender a Aprender. “O foco não é no conteúdo do aluno e sim na competência do aluno, fazendo dele um ser autônomo podendo decidir o que quer aprender”, explicou.

Com dinâmicas individuais ou em grupo de até quatro alunos, as aulas acontecem nas modalidades online e presencial. O aluno abordado pelo projeto Estudo Certo foca, entre outras questões, a organização do estudo, o autoconhecimento e tipo de memória que o aluno desenvolve.

Para identificação do melhor método de estudos, reforço escolar ou até mesmo aulas particulares para enfretamento de dificuldades pontuais em todas as matérias, o projeto Estudo Certo prevê uma consulta de diagnóstico onde todas as dificuldades são identificadas. “Através de um diagnóstico é possível identificar que método de estudos é mais eficiente para cada tipo de aluno, a fim de que ele realmente aprenda a aprender”, aponta Flávia.

Com a pandemia, os alunos foram mais exigidos no quesito organização e os pais, que puderam ficar mais perto dos filhos devido as aulas a distância, perceberam a dificuldade que os alunos têm.

“Os estudantes atuais são os chamados nativos digitais, aqueles que nasceram já com um celular nas mãos. Mas na verdade eles entendem e são interessados em redes sociais e quando precisam usar as redes para pesquisas, para fortalecer os estudos, a dificuldade ainda é grande”, disse.

Os alunos no período de alfabetização são o grupo mais impactado pelos efeitos da pandemia no processo de ensino e aprendizado, segundo Flávia. “Para estes, definição de métodos de reforço aos estudos é crucial para que não sofram também nos anos seguintes. O reforço escolar e as técnicas que ensinam o aluno a aprender são fundamentais”, explica.

Cada tipo de dificuldade identificada no diagnóstico resulta num programa que vai trabalhar as barreiras enfrentadas pelo aluno que, em algumas vezes, pode inclusive estar relacionada com o ambiente e com situação como perdas, por exemplo.

“Nesta pandemia, muitos alunos perderam pessoas queridas e os reflexos no aprendizado são profundos. Identificar isto e contribuir para que os efeitos na educação não afetem toda uma vida também é nosso objetivo, acrescentou Flávia.

Beto Silva
beto.silva@jpjornal.com.br

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