Agricultura Sustentável

Por edicao_jp |
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Nancy Thame é secretária de Agricultura e Abastecimento de Piracicaba

Em um município como Piracicaba, com um privilegiado território rural – 82,5% da área total do município -, temos um cenário muito positivo para o fortalecimento da produção local, sobretudo, por meio do desenvolvimento da agricultura sustentável.
Com reconhecimento nacional e internacional pela riqueza e excelência das instituições relacionadas ao setor, como a Esalq, além de grupos de pesquisa, incubadoras, ambientes de suporte e infraestrutura, fomento e investidores, nosso município possui 2.322 propriedades rurais (Sicar, 2020), sendo 1.832 pequenas propriedades rurais (menores que 40 hectares), concentradas próximas ao perímetro urbano (área periurbana). Para falar em agricultura sustentável devemos considerar o aspecto econômico e os fatores sociais e ecológicos, que devem ter igual relevância. Ela deve ser justa do ponto de vista social, ser economicamente viável, e garantir às gerações futuras a capacidade de suprir as necessidades de produção e qualidade de vida no planeta.

De acordo com especialistas no tema, a agricultura sustentável se baseia em um sistema de produção que tenha a capacidade de manter a produtividade e ser útil para a sociedade em longo prazo. Além disso, ela deve cumprir a demanda de abastecimento da população, com preços praticáveis, sendo suficientemente rentável para competir com a agricultura convencional e preservar o potencial dos recursos naturais. A prática agrícola sustentável não deve deixar de utilizar tecnologias modernas, como a semeadura simultânea, a agrossilvicultura, assim como o revezamento de cultivos. O benefício destas práticas consiste em que as culturas explorem diferentes recursos ou que interajam entre si, evitando a erosão e a perda de nutrientes, entre outros.

Organismos como a ONU têm levantado este debate tendo, como base, pesquisas que estimam o aumento da população mundial até 2050 para 9 bilhões de pessoas, concluindo, portanto, que a demanda dos sistemas alimentares mundiais se intensificará, e diante disso precisamos tomar medidas. Os desafios são: promover a sustentabilidade na alimentação, no que diz respeito à segurança alimentar, saúde e nutrição; praticar a responsabilidade ambiental; assegurar a viabilidade econômica e gerar valor; respeitar os direitos humanos, criar empregos decentes e contribuir para a prosperidade das comunidades locais; promover a boa governança e prestação de contas; e proporcional o acesso e transferência de conhecimentos, habilidades e tecnologia à população.

É fundamental integrar o abastecimento alimentar do município, compondo o ciclo de atividades que vão da produção à mesa do cidadão. Para tanto, há a necessidade da articulação e coordenação de políticas públicas de Segurança Alimentar e Nutricional.
O poder público exerce um importante papel para acelerar a implementação de um processo de agricultura sustentável ao oferecer os incentivos aos produtores rurais locais. É neste sentido que a Sema – Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento de Piracicaba – tem trabalhado intensamente na elaboração de novos programas, além do aprimoramento dos já existentes, de acordo com o Plano de Desenvolvimento Rural Sustentável do município, aprovado recentemente.

O principal papel da secretaria é o de agente mobilizador, de forma que o setor agrícola seja conhecedor e consciente dos projetos e programas de apoio de agências e órgãos de fomento, abrangendo todo o território municipal através de três grandes áreas: agricultura do meio rural, agricultura periurbana e urbana, e abastecimento alimentar. Dessa forma, objetivamos o fortalecimento de parcerias com foco no atendimento do município e a valorização dos produtores e alimentos produzidos localmente, o que favorecerá a segurança alimentar e nutricional e trará mais economia à população.

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