Ano 254

Por edicao_jp |
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Adolpho Queiroz é Secretário Municipal de Ação Cultural

A democracia é o melhor dos sistemas cultivados pelas cidades, estados e nações desenvolvidas de todo o mundo. Nesse sistema, continuar nem sempre é pecado, mas cria infelizmente uma zona de conforto a ser substituída, periodicamente pela sociedade, para dar lugar a novos olhares e percepções sobre o que e como fazer com os bens públicos. E o novo às vezes intimida, inquieta. Mas são sob as inspirações dos iconoclastas de 1922 que as artes e a cultura brasileira se transformaram.

Pois é essa a nova experiência que tenho vivido nesta terra onde nasci, cresci física e profissionalmente, onde nasceram os meus filhos, que tenho dedicado meus esforços pessoais no sentido de abrir janelas e portas para que ela respire novos ares. Fui incumbido pelo prefeito Luciano Almeida para, ao lado dos integrantes do seu governo, organizar um projeto audacioso, intitulado Engenho da Cultura.

Por isso vamos voltar hoje pela manhã, para celebrar o aniversário desta terra, ao marco zero instalado no Engenho Central. Sob as bençãos da bandeira do Divino Espírito Santo, incorporado aos pavilhões nacional, estadual e local, faremos nossa oração de respeito por nossa terra, preservando os protocolos de saúde.

No local onde teria chegado há tanto tempo o fundador desta terra, o Capitão Antônio Correa Barbosa, sobre quem não há foto definida, mas percepções artísticas reveladas em dois quadros de referência. Um, exposto no Museu Prudente de Moraes, outro na sede do Instituto Histórico de Piracicaba. No do museu, um elemento sutil, recorre à subtração da imagem de Nossa Senhora dos Prazeres, primeira padroeira da cidade, por outra de Santo Antônio, que virou padroeiro oficial pelas circunstâncias da mudança do eixo de desenvolvimento da cidade para a outra margem do rio, onde hoje localiza-se a Rua do Porto.

Recentemente, a convite do IHGP, o artista plástico e diretor cultural da Acipi, Palmiro Romani, com os elementos constitutivos sobre a aparência narrada do Capitão Povoador, reconstituiu, sob o olhar criterioso do seu estilo de pintar, a nova cara do Capitão. Com isso, ampliou os horizontes da nossa imaginação sobre a face do nosso fundador, 254 antes do surgimento da informação instantânea que corre hoje, freneticamente por meio das nossas redes sociais.

E a democracia, instaurada ao tempo dos coronéis, dividiu a cidade mais ou menos ao meio, quando monarquistas e republicanos travaram batalhas verbais nem sempre amistosas, que se repetem ainda hoje, entre os que ganham e os que perdem periodicamente as eleições na cidade, mas que cada qual ao seu modo e tempo, vão procurando inovar conceitos, projetos, prédios públicos, construindo novos olhares para a cultura local. E abrindo-se aos desafios do “novo”.

Para além do marco zero, estaremos a partir de hoje, reabrindo as portas dos nossos teatros, do zoológico, dos espaços culturais disponíveis para que possamos trazer de volta à cena os músicos, artistas plásticos, pessoal da dança, do teatro, cinema, de todas as tribos hoje denominadas de fazedores de cultura.

Outra ação simbólica que faremos hoje será o plantio de 254 mudas de árvores, a ser feita pela SEDEMA, no ecoponto do Jardim Oriente, tão maltratado nos primeiros dias deste ano por incêndios criminosos. Que elas representem o compromisso deste governo pelo meio ambiente. Concluo este artigo sob os versos do poeta e músico Douglas Simões, com interpretação de sua melodia pela sobrinha e grande cantora Julia Simões, em “Piracicaba em flores”, que nos lembra deste “pedaço de universo, minha aldeia. Minha noiva, sedução. Piracicaba sempre no meu coração”. E que assim seja, hoje e sempre.

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