Nas particularidades das suas gerações, eles demonstram em gestos, palavras e atitudes, a importância da figura do pai como referência
“Desde criança ele sempre fez tudo do jeito dele”. “O meu pai me ensinou: trabalhe, trabalhe, trabalhe muito! Seja prudente e sempre acredite em Deus!”. “Quando eu crescer, vou ser advogado”. Três frases até contraditórias entre si mas que contam a história de três gerações da família Erler. A primeira é de Antônio Moacir, pai de Matheus e avô do elétrico Matheusinho que, com quatro anos, já diz que quer ser advogado, como o pai e trabalhar muito para realizar seus sonhos.
As frases trazem como cada um vê esta relação entre pai, filho e avô, como o exemplo de cada um interfere na formação do perfil e do caráter de cada um e, principalmente, como o amor em forma de admiração é o fio condutor desta que é um entre diferentes perfis da família piracicabana.
Antônio Moacir Erler é metalúrgico aposentado que saiu do campo e quando veio à cidade trabalhou numa sacaria da antiga Agroceres. Reconhece no valor da esposa, Joana Cano Erler, todo o projeto bem-sucedido que foi a educação do hiperativo Matheus Erler, advogado licenciado que atua no campo da assessoria previdenciária. Mesmo envolvido com o trabalho, o pai Antônio observou o quanto o garoto era exigente consigo mesmo, perfeccionista e crítico. “Se pegasse um carro para lavar, demorava seis horas, mas fazia um serviço impecável”, contao, hoje, avôque não esconde a admiração pelo quanto o filho se esforça para levar ao neto uma educação permeada muito carinho.
Depois de passar por escolas públicas, Matheus teve o primeiro emprego como entregador de uma farmácia. Com o dinheiro, conseguiu pagar um cursinho para buscar o sonho de entrar numa faculdade de medicina. “Eu ajudava quando preciso, mas ele corria atrás das coisas dele sem dar trabalho”, conta seu Antônio que já buscava ensinar o quanto era importante se pensar no bem pessoas ao integrar seus quatro filhos com respeito e harmonia entre si.
Foi na farmácia que as primeiras lições sobre cuidar de pessoas foram aprendidas por Matheus. O pai lembra-se que o dono chegava a reclamar de que tinha que consertar a bicicleta várias vezes “de tanto que ele corria para lá a e pra cá”. Matheus lembra que ali recebia centenas de pessoas doentes, um momento de sofrimento e muitas vezes dor. “Tínhamos que ajudar as vezes não só com remédios, mas ouvindo e as vezes aconselhando. Algo que também meu pai me ensinou”, conta.
A interferência de seu Antônio na educação de Matheus fez com que, depois de quatro anos, o aspirante a estudante de Medicina assumisse o Direito como paixão. “Então recebi um convite especialque mudou a minha vida, de uma amiga, Taina Ribeiro Guarnieri, a assistir uma aula do curso de Direito que ela ministraria na Unimep”, decidindo então pela profissão e a decisão de atuar pelo bem-estar e futuro das pessoas.
Matheusinho entra nesta história para realizar o senhor de Mahteus em ser pai e retribuir toda a compreensão e amor que recebeu dos pais. Em 2016 quando a esposa Jéssica ficou grávida passou pela surpresa e susto de receber a notícia. “Era a realização do meu mais desejado sonho. Foi uma mudança de vida de 180 graus. Uma mudança absoluta e total”, relembra Matheus.
O medo no período gestacional e no parto sempre cercaram Matheus que contou com o amparo dos médicos numa gestação e um parto abençoados. “Inseguranças? Ainda possuo muitas. Doamanhã para o meu filho. Que mundo estamos construindo para ele e as outras crianças viverem? O que estamos plantando na cabecinha deles para que eles sejam adultos saudáveis, responsáveis e cidadãos de bem?”, projeta.
Em 2018, após oito anos de casamento, Matheus se separa e uma nova vida cheia de desafios começa, a de estar com Matheusinho todos os dias. A rotina de cuidar, estar durante ao dia e noite com o filho foi encarado como momentos únicos que Matheus vive de forma intensa. “Foram tantas noites em claro, acordar para vê-lo se não estava com febre, dor, se não estava frio demais, ou então calor demais, trocar as fraldas em infinitas madrugadas, levantar e perder o sono”, relembra Matheus.
Matheusinho, o garoto agitado como o pai, veio para mudar paradigmas na vida de Matheus que teve que reduzir a jornada de trabalho. “Quando o escritório fecha, vou para casa, almoço com ele, antes de trabalhar muitas vezes brincamos e os finais de semana são intensos”, conta. Toda esta movimentação não afastou do pai a sensação comum, geralmente às mulheres, quando é preciso dividir-se entre o trabalho e a vida com os filhos. “Uma dificuldade que até hoje enfrento.Mas preciso trabalhar, além de ser o exemplo para meu filho também”, conta ele agradecendo à Cleide, a babá que ajudou muito no processo de adaptação.
Um pai realizado, um avô realizado e um menino que nos gestos, no andar, na fala e até no sorriso reproduz o que aprende todos os dias na família Erler, que o homem pode sim se derreter de amor na paternidade, admirar e se fazer admirável, seja em qual modelo de família que estiver comemorando um Dia dos Pais.
Da Redação
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