Historiadora defende ensino sobre Piracicaba

Por Cristiane Bonin |
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Marly Perecin aponta que as escolas deixaram de lado as origens da cidade

A professora e historiadora Marly Therezinha Germano Percin chama a atenção para o fato de o ensino básico e fundamental em Piracicaba ter praticamente deixado para um plano remoto as origens históricas do município. Fica esquecida a trajetória sobre a força originária da constituição do primeiro povoado para se tornar a cidade contemporânea, com posição de destaque no cenário econômico nacional. “Nos inícios de Piracicaba, essas conquistas eram inimagináveis”, observa Marly. A entrevista integra as matérias comemorativas dos 54 anos de criação do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba (IHGP), em 1957. A historiadora fez parte do primeiro grupo de intelectuais da cidade que lutaram pela criação do instituto, do qual foi presidenta de 1988 a 1989.

Marly lembra que Piracicaba nasceu das águas. “E quando começou a surgir um esboço de povoamento, numa boca de sertão, esta cidade era um paraíso de ofídios, aves e peixes, tendo o [ribeirão] Itapeva como o presépio das capivaras. Tudo isso foi mudando”. Boca de sertão, segundo ela, era um lugar remoto, o mais distante possível da civilização, o último ponto, reduto de degradados, bandidos e feras.

A historiadora recorda com encanto o fato de Piracicaba ter uma história cinematográfica, mas pouco conhecida e pouco valorizada. “O que nós mais desejamos é que a cultura piracicabana siga a passos acelerados. Mas para isso não basta visão nos negócios, não basta visão nos projetos econômicos. Temos que ter mais visão no projeto cultural”.

Os alunos do ensino básico e fundamental, no entender da pesquisadora, precisam estabelecer uma relação mais forte com o passado histórico. Nesse sentido, considera de extrema relevância que as crianças e jovens possam “torcer para um povoador, torcer pelo Rio Piracicaba, torcer para certos momentos históricos”.

Marly parabeniza os homens do passado, que tiveram visão. Apesar de terem sofrido derrotas, alcançaram pequenas vitórias. “É assim, de pequenos passos, de pequenas vitórias que se chega a um estágio realmente estável e progressista. Hoje, Piracicaba é uma referência na cultura do país. Aliás, já era desde o começo do século 20. Mas, hoje tem seu lugar reservado”.

A historiadora faz um apelo para que se volte novamente a atenção para a Piracicaba antiga, especialmente entre crianças e jovens estudantes. “Poderiam [para esse fim pedagógico e de valorização da história do município] decorar a nossa igreja, a nossa catedral, como fez Sorocaba com a sua história. Poderíamos ter imagens do passado histórico de Piracicaba espalhadas pelas escolas, pelos centros culturais. Tudo isso traria mais grandeza, com frutos a serem colhidos a curto e médio prazo”, conclui.

Cristiane Bonin
cristiane.bonin@jpjornal.com.br

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