Câncer no esôfago é o 6º entre homens

Por alex rodrigues |
| Tempo de leitura: 3 min

Abril é o mês da conscientização do câncer de esôfago, simbolizado por um laço azul claro. A mensagem que os especialistas passam neste mês é fi car atento a alguns hábitos que podem ocasionar este tipo de câncer que, a princípio, é silencioso e que afeta milhares de pessoas, principalmente os homens.

No Brasil, o câncer de esôfago (tubo que liga a garganta ao estômago) é o sexto mais frequente entre os homens e o 15º entre as mulheres. É o oitavo mais frequente no mundo e a incidência em homens é cerca de duas vezes maior do que em mulheres isso vem por conta dos hábitos culturalmente estereotipados designados aos homens. Os principais fatores de risco relacionados ao câncer de esôfago são: o consumo de bebidas alcoólicas, o excesso de gordura corporal e o tabagismo, que isoladamente é responsável por 25% dos casos da doença. Ou seja, hábitos de vida que podem prevenir esse tipo de câncer, mas como está agora depois de um ano de pandemia?

Por conta do Coronavírus, diversas cidades fecharam por tempo indeterminado bares e restaurantes, além dos órgãos mundiais de saúde pedirem as populações que não se aglomerem, em outras palavras, sem possibilidades de festas ou churrascos como é muito comumente feito pelos brasileiros. Indiretamente essas proibições impediram que as pessoas continuassem desenvolvendo maus hábitos de saúde? Os dados mostram que não.

Uma pesquisa com 44.062 indivíduos realizada pela Fundação Oswaldo Cruz, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade Estadual de Campinas, teve a fi nalidade de verificar como a pandemia afetou ou mudou a vida da população.

No estudo, 23% das pessoas que já fumavam aumentaram em 10 cigarros o consumo diário e 5% aumentou em 5 cigarros diários. No quesito álcool, 18% relataram aumento no consumo da bebida, sendo que em adultos entre 30-39 anos o aumento foi de 25%. Já sobre atividade física, a pesquisa mostrou uma situação extremamente alarmante: 62% da população relatou não estar fazendo atividade física. Entre as que faziam 3-4 vezes por semana, na pandemia 46% delas pararam. E entre as que faziam 5 vezes por semana, 33% parou. “Ou seja, as pessoas estão em casa, comendo mais, fumando mais, consumindo mais álcool e não estão se exercitando. Ações que em um futuro não muito distante terão complicações graves para a saúde da população, inclusive no aumento de casos de câncer de esôfago”, afi rma David Pinheiro Cunha, oncologista e sócio do Grupo Sasse Oncologia e Hematologia (SOnHe).

As análises trouxeram resultados surpreendentes. “As mudanças no estilo de vida relacionadas ao hábito de fumar, consumo de bebidas alcoólicas, prática de atividades físicas e de alimentação analisadas mostram dados drásticos”, comentou o médico.

Em um momento onde os hospitais estão lotados e com falta de anestésicos utilizados para entubação, medicamento também usado para pacientes fazerem endoscopias (único tipo de exame capaz de diagnosticar o câncer no esôfago) evitar que mais novos casos de câncer apareçam é necessário.

Vale lembrar que se diagnosticado cedo, as chances dos tratamentos darem certo aumentam e muito, por isso fi que atento nos consumos de cigarros, bebidas e alimentos gordurosos ou defumados. Além disso, preste atenção nos sintomas que este câncer poder oferecer, de acordo com o oncologista são: dificuldade ou dor ao engolir, dor retroesternal (atrás do osso do meio do peito), dor torácica, refl uxo, sensação de obstrução à passagem do alimento, náuseas, vômitos e perda do apetite.

Larissa Anunciato
larissa.anunciato@jpjornal.com.br

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