
Bruno Gustavo Aparecido da Silva, mais conhecido como Bruno Bulldog, lutador de MMA (Artes Marciais Mistas) e atualmente no U FC ( U lt i mate Fighting Championship) tem 31 anos, filho de Osmar Martins da Silva e Neide de Fátima Marchaqui da Silva, irmão de Rômulo Eduardo da Silva e Bruna Tatiane da Silva.
Piracicabano, Bruno teve que sair de sua terra natal para conseguir os seus sonhos: primeiro no Rio de Janeiro e, posteriormente, nos Estados Unidos, e vem colhendo os frutos. Presente no peso-mosca, Bruno conquistou sua primeira vitória no UFC no último dia 20, ao derrotar o sul-africano JP Bays, para afastar qualquer risco de dispensa e trilhar com mais calma e confiança o seu caminho no Ultimate. Direto de Phoenix, no Arizona (EUA), Bruno conversou com exclusividade com a reportagem do Jornal de Piracicaba, no qual falou de sua trajetória e os planos para os próximos meses de sua carreira.
Como foi a sua infância? Em que bairro você nasceu/ cresceu e teve contato com as artes marciais durante esses anos?
Nasci em Santa Teresinha, mas fui criado no Novo Horizonte desde os dois meses de idade e comecei a ter contato com ar artes marciais aos 10 anos, por meio da capoeira. Também praticava vários esportes, fazia natação pelo XV, jogava futebol, break dance, skate, mas comecei treinar luta aos 19 anos, bem no começo, praticamente tudo (muay Thai, Jiu-jitsú, MMA) tudo junto em Piracicaba.
De onde surgiu o apelido Bulldog?
O apelido surgiu do meu professor Felipe Vidal, que me disse que tinha cara de bulldog e era pequeno. Então ele falava que eu parecia um bulldog forte, que ia para cima, era guerreiro e assim começou a me chamar de bulldog, apelido que ficou até hoje.
Quais modalidades você prática e qual a sua graduação (faixa) em cada um deles?
Já pratiquei muitas artes marciais, como o kickboxing há muito tempo, mas nunca graduei. O Muay Thai já tive algumas graduações, sou faixa preta em jiu-jitsu, treinei karatê e, já pratiquei boxe também, Wrestling, mas agora estou treinando bastante MMA, mesclando as técnicas.
Quando surgiu o desejo de ser um lutador de vale- -tudo e como foi a sua carreira antes de entrar no UFC?
O desejo surgiu pelo esporte mesmo, foi muito cedo. Assistia os vídeos de vale-tudo quando era criança e nisso falava “Nossa, eu quero fazer isso da minha vida”. Era um sonho que tive e fui crescendo com aquele desejo. Fui sempre treinando, mesmo começando tarde coloquei na minha cabeça, que, com o meu tamanho é difícil alguém ganhar de mim, porque treinava com pessoas bem maiores e era bastante atento. Quando era criança brigava bastante em futebol, capoeira, soltava pipa, era um moleque bem livre.
No início da minha carreira foi como todo o começo, tem aquela dificuldade, já que você treina, você sonha e você via atrás. E fiquei apaixonado pela luta, viciado nisso, só competia, queria treinar o dia inteiro e meio que me encontrei. Descobri que aquilo era a minha paixão e fui atrás, trabalhei, depois foquei um tempo só na luta, fui me destacando, as oportunidades vieram, mudei para o Rio de Janeiro, no qual colecionei várias histórias legais, como quando conheci o Minotauro em uma promoção, depois conheci um cara na rua, ele me deu carona, fiquei na casa dele e íamos treinar. Foi uma história bem legal que também teve um começo bem difícil e era complicado ter todas as coisas, mas foi bom, uma época em que o MMA estava estourando e pude fazer muitas lutas, consegui me profissionalizar e foi bom do jeito que deveria ser.
Você participou do TUF. Como foi essa experiência?
Foi uma experiência maravilhosa, me levou a outro patamar na carreira. Alcançando alguns Patamares, esse foi essencial na minha vinda aos Estados Unidos, descoberto um novo mundo, já que, quando você tem contato com o EUA tudo é diferente. Portanto, você acaba mudando a sua cabeça, abrindo os seus olhos e vendo as coisas de outra maneira. Isso foi essencial para o meu crescimento, já que vi como era os EUA com o meu próprio ponto de vista no TUF, então realizei um desejo de poder morar aqui, aprender inglês, treinar Wrestling e o TUF foi como uma vitrine para mim, já que passava na Globo, então o Brasil inteiro me assistia durante três meses, os donos de evento, então você já ficou conhecido ali, tudo mundo sabendo quem você era, além de ter o primeiro contato com o UFC, que é o sonho de ter ido para (Las) Vegas, ter participado do reality show em uma casa muito legal, com uma galera do UFC e te pagando ainda por cima, que é algo que um atleta sempre sonhos, sem contar em outro nível de tratamento. O TUF foi muito especial mesmo, onde estava o Anderson Silva, depois mudou para o Minotauro, Shogun com o time dele, os melhores do Brasil juntos. Apesar de já estar treinando no Team Nogueira, já estava acostumado com a galera de alto nível e foi muito massa essa experiência.
Além de poder ter o privilégio de conhecer, você treina com Henry Cejudo, uma lenda viva do UFC. Como é conviver com ele e a importância dele na sua entrada no UFC?
O Cejudo é um irmão. Acredito que sou um abençado, porque as coisas acontecem de uma forma que nem acreditamos. Queria ir para os EUA e, logo após o TUF, comecei a ligar para as pessoas e falei com o (Eric) Albarracin, que é o nosso coach e muito amigo meu também. Falei com ele que queria ir para o Estados Unidos e ele me disse para comprar uma passagem para Phoenix.
Cheguei na casa do Cejudo e vi o quanto gente boa ele é. Na época ele não falava português, mas sabia inglês e espanhol. Ele nem me conhecia, mas me recebeu na casa dele e nos tornamos amigos, fiquei o máximo que o meu Visto permitiu e começamos uma amizade aí. Com o tempo a nossa parceria só foi aumentando, mudei junto com ele e para mim ele é um irmão, já que o ajudei em muitas coisas, assim como ele me ajudou muito também. Somos gratos um ao outro com a parceria, fora tudo que aconteceu durante isso tudo. Nós fomos para as lutas, ele se tornou campeão mundial, ficou campeão do Arizona, depois ele me ajudou no UFC, além do que vem acontecendo agora. Nossa história vai ficando mais bonita e sinto que sou um privilegiado por tudo isso.
Recentemente você ganhou a sua primeira luta. Como foi conquistar esse importante triunfo, já que você vinha de duas derrotas consecutivas (além de uma no contest), sendo que no UFC, três derrotas poderia significar uma dispensa?
Foi muito importante mesmo, já que já sabia que se perdesse praticamente estaria fora do UFC e já vim meio que pensando, fazendo planos, com certeza confiando em mim, na luta, treinando, acreditando, tendo fé, só que você tem que pensar também que no e se não (der certo). Então estava pensando várias coisas, inclusive em me aposentar, já que se saísse do UFC teria que lutar em eventos pequenos que não ganha nada, fora que não arruma luta. Preciso de grana nessa época da minha vida, construir meu caminho. Essa luta mudou minha vida para o próximo capítulo, o passo seguinte da minha vida.
Após esse primeiro triunfo em alto nível, quais são os planos para os próximos meses? Já estão negociando outra luta e contra quem seria?
Já negociei outra luta, já estou com o contrato com o UFC, eles já me ligaram, já conversaram e, provavelmente irei lutar daqui alguns meses. Agora é vida nova, sonho novo e ir para cima nesse novo desafio.
A categoria foi dominada boa parte do tempo por Demetrius Johnson, depois teve um reinado do Henry e finalmente ele veio para o Brasil com o Deivison Figueiredo. Você tem em mente que pretende tirar esse cinturão do Deivison cedo ou tarde?
Sim, começou com o Demetrius, depois passou pelo Cejudo e agora tem o Deivison. Com certeza tenho em mente conquistar esse cinturão, independente se for o Deivison ou qualquer outra pessoa. É o meu sonho e o foco é lá e lutarei para isso.
Como você vê o desenvolvimento do MMA no Brasil? O que acha que falta para o esporte ser um dos favoritos da maioria dos brasileiros?
Sinceramente o desenvolvimento do MMA no Brasil está cada vez pior. Não tem evento, a galera não paga os atletas e costumo falar que os atletas brasileiros são heróis, já que eles treinam duro, sem patrocínio, sem nada e chegam em alto nível. Você vai treinar em muitas academias e os moleques são muito bons de luta mesmo. Você percebe que precisa de muita dedicação para as pessoas chegarem no nível que eles chegam, praticamente sem suporte nenhum.
Aqui, nos EUA, nem se compara. As academias são bonitas, todo mundo tem material, é totalmente diferente. Quem luta no Brasil e consegue chegar nesses eventos profissionais já tem o meu respeito, eles fazem muito, porque é muito difícil ser atleta. Custa tempo, descanso, e essas pessoas trabalham, treinam e é muito difícil. Posso falar por mim mesmo, já que fiz isso por muito tempo da minha, então sei como é ser atleta no Brasil. Sinto que, em não muito tempo, irá diminuir cada vez mais. Espero que não aconteça isso, mas o Brasil precisa ajudar o seu MMA.
Para ser favorito dos brasileiros precisa de investimento. O Governo investir, ajudar, já que o esporte muda vidas, não só o MMA. No Brasil o Governo não ajuda o povo como deveria ajudar. Espero que essa realidade mude.
Mauro Adamoli
mauro.adamolir@jpjornal.com.br
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