O engenheiro Daniel Carribeiro de Oliveira travou uma luta contra o tempo para conseguir salvar sua mãe, uma operadora de raio-x de 62 anos, que foi acometida de um infarto dentro da própria casa, na Vila Independência, no domingo (21) à tarde. Inicialmente, ele tentou ligar no telefone 192, do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), mas como estaria colapsado em decorrência de muitos chamados naquela hora, ele decidiu ligar para o telefone 193 dos bombeiros. Segundo ele, a atendente fez um rápido atendimento e teria informado que mandaria uma equipe para auxiliá-lo, mas para sua surpresa depois de três minutos, outro atendente teria ligado para o telefone da família e disse que não seria atendido.
“Já tinha deixado a porta e portão abertos para agilizar o atendimento dos bombeiros, mas para a minha surpresa recebi uma ligação do atendente, que alegou que não iria mandar a equipe, pois aquele não era o trabalho deles. Fiquei desesperado, porque não tive nenhum tipo de auxílio”, disse o filho da paciente.
Oliveira relatou que a única saída foi colocar a mãe no carro, ligou o pisca alerta e saiu o mais rápido que pode até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Piracicamirim, que apesar de ser especializada em casos de covid-19, estava à apenas quatro quilômetros de sua casa e era o local de trabalho de sua mãe, que inclusive foi um pedido dela, pois sabia que tinha um cardiologista de plantão naquele dia.
“Quando cheguei à UPA ocorreu mais transtorno, o motorista de uma ambulância, que não trabalha naquela unidade impossibilitou-me de entrar. Relatou que deveria ir à UPA da Vila Cristina, que seriam mais cerca de dez quilômetros entre semáforos, rotatórias e lombadas”, afirmou o engenheiro.
Ele alegou ainda, que um enfermeiro ouviu a discussão e veio em nosso auxílio. O funcionário reconheceu minha mãe. Imediatamente, ela foi colocada em uma cadeira e simplesmente desfaleceu. O médico disse que consegui socorrê-la a tempo, pois minha mãe não resistiria mais cinco minutos”, afirmou o filho.
Segundo ele, teve que comprar o medicamento Clopidogrel, na farmácia da esquina. Pagou R$ 61,99, a caixa com 28 comprimidos. O médico pediu se poderia ficar com a caixa, pois estava em falta e poderia salvar outras vidas”, afirmou. “Foi o quarto infarto que minha mãe sofreu e mesmo assim permanecia na linha de frente. Ela chegou a pedir afastamento por ser do grupo de risco, mas foi negado pela Prefeitura. Minha mãe contraiu a doença trabalhando, no ano passado, se recuperou e continuou trabalhando na linha de frente mesmo sendo cardiopata”, enfatizou.
De acordo com a família, a paciente foi transferida à UCO (Unidade Coronariana) da Santa Casa de Piracicaba, onde permanece em estado estável. “Minha mãe fez cateterismo e angioplastia e está se recuperando”, completou.
OUTRO LADO
Em nota, o comandante o 16º Grupo de Bombeiros de Piracicaba, tenente-coronel Harley Washington Ferreira enfatizou que o “Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo esclarece que prima pelo atendimento de emergência em todas as solicitações, que os bombeiros são instruídos e treinados exaustivamente, para sempre levar o melhor serviço a toda população paulista diuturnamente e quanto ao caso em questão será investigado se houve falha por parte dos integrantes do Corpo de Bombeiros”.
A Prefeitura foi questionada sobre a triagem realizada na UPA, falta do medicamento e negativa do afastamento da servidora concursada, mas não retornou o contato realizado pela reportagem.
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Cristiani Azanha
crisazanha@jpjornal.com.br