Carnaval

Por José Faganello |
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“O lar é o céu, e as orgias abjetas, / mas a gente precisa de uma orgia de vez em quando” (Ogden Nash)

Desde a mais remota antigüidade o homem costumava realizar celebrações orgíacas, em geral com caráter ritual – volta da primavera, culto dos mortos e, no caso, atual, modernos carnavais, a despedida que antecede aos jejuns da quaresma…

O mais famoso carnaval é o do Rio de Janeiro. Pernambuco e, principalmente, a Bahia, tentam ganhar espaço, numa competição, na qual S. Paulo também entrou.

Da festa selvagem praticada no Brasil colonial e monárquico, em que predominava festejos grosseiros, o carnaval evoluiu para uma festa elegante, requintada, esbanjando fantasias caras e carros alegóricos espetaculares.

Surgiram grandes sociedades carnavalescas, atuais escolas de samba, que realizam desfiles monumentais, atraindo turistas de todas as partes do mundo. Junto com os desfiles há os bailes de salão e alguns ao ar livre.

O carnaval carioca transformou-se num gigantesco espetáculo, a cada ano mais sofisticado. Ele difere do carnaval de Recife e de Salvador, nestes a participação coletiva predomina, com ondas humanas que se deslocam atrás de trios elétricos, numa coreografia coletiva e ao mesmo tempo pessoal.

Os saudosistas desdenhando as atuais festas carnavalescas alegam que elas perderam aquele encanto das serpentinas e confetes em profusão do lança-perfume, das máscaras, das músicas com letras primorosas e plenas de harmonia. Afi rmam, também, que não mais rola paquera como antes, principalmente aquela em que a máscara encobria a identidade, criando um clima de suspense. Invocam Shakespeare, no episódio de Romeu driblando a guarda da família inimiga, ao entrar mascarado no baile dos Capelleti, no qual conheceu Giulietta, seu amor fatal.

Mesmo aqueles que não chegam a apelar para este tipo de saudosismo, reclamam que os atuais bailes foram tomados pelos jovens, alijando os adultos ou fazendo-os sentirem-se deslocados no ambiente. Reconhecem que ao levar seus filhos, temendo pela segurança delas longe de seus olhos, contribuem para que isto aconteça.

Sem dúvida, necessitamos de festas e confraternizações coletivas. A vida moderna concede-nos poucas oportunidades para elas. A grande massa da população, além da falta de tempo, vê-se desestimulada a qualquer festejo, pelo dinheiro curto, quando não por sua total ausência.

Sempre, no entanto, haverá expressivo número daqueles que, de uma forma ou outra, aproveitam dos festejos momescos. Para muitos o carnaval é a oportunidade esperada para uma exacerbação, mais fácil de ser justificada.

Em termos de duração é o maior período de festas que dispomos em nosso calendário. Levando em conta, de que não são poucos os que param suas atividades às vésperas do Natal, retornando ao trabalho apenas após o Carnaval e outros, apenas no domingo seguinte à quarta-feira de cinzas, é a nossa maior festa e o Brasil, o país ideal para quem quer festejos sem limites de tempo e comportamento.

Oficialmente, o Carnaval se encerra na quarta-feira de cinzas. Na Igreja católica os fiéis recebem uma cruz na testa feita de cinzas, ouvindo a advertência – “Lembra-te que és pó, e ao pó voltarás.”

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