A relação do pulmão com a covid-19 é muito ampla, pois dependendo da gravidade o vírus compromete o funcionamento dos pulmões, podendo causar uma infecção respiratória aguda.
Ainda são parcialmente desconhecidos os danos que o Sars-CoV-2 causa nos pulmões dos infectados. Porém, os cientistas afirmam que há uma síndrome de liberação de citocinas desencadeada pelo antígeno viral (Sars-CoV-2), toxicidade pulmonar induzida por drogas e alta pressão nas vias aéreas e lesão pulmonar aguda induzida por hiperóxia (excesso de oxigênio em um tecido celular).
Quase todas as pessoas com consequências graves relacionadas à covid-19 apresentam pneumonia. Para avaliá-las é realizada uma tomografia (TC) de tórax, que mostra opacidades em vidro fosco bilaterais, com ou sem consolidação, e com predileção do lobo inferior. Muitos pacientes necessitam de cuidados intensivos, dos quais alguns desenvolvem síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) e outros a Bronquiolite obliterante com pneumonia organizada (Boop).
A fibrose pulmonar (cicatriz da inflamação pulmonar) é uma sequela reconhecida da SDRA e pode se desenvolver após inflamação crônica ou como um processo fibroproliferativo primário, geneticamente infl uenciado. O avanço da idade é um fator de risco para o desenvolvimento da doença. Essa fi brose é a sequela mais frequente relacionada ao trato respiratório, causando sintomas como uma tosse crônica a uma dificuldade de respirar.
O coronavírus deflagra uma inflamação intensa nos alvéolos, estruturas que realizam as trocas gasosas, e no interstício, uma espécie de rede localizada entre o alvéolo e pequenos vasos sanguíneos (os capilares). O interstício, quando fi ca comprometido, está ligado a sequelas como insuficiência respiratória. Os sintomas podem ser um cansaço leve, uma redução da resistência na prática de atividades físicas ou alterações em exames laboratoriais e espirométricos.
Já a Boop é uma das complicações que podem ocorrer nos casos de pacientes com coronavírus. Nos casos clínicos mais comuns são estertores crepitantes e taquipneia. Os achados radiológicos mais comuns são áreas de consolidação uni ou bilateralmente. A tomografia computadorizada de tórax observa-se consolidação do espaço aéreo em 90% dos casos da bronquiolite obliterante com pneumonia organizada, com predomínio em áreas inferiores. A atenuação em vidro fosco pode ser encontrada em 60% dos casos e em 15% dos pacientes podem-se encontrar múltiplos nódulos. A radiografia e a tomografia computadorizada são exames de imagem importantes para avaliar os pacientes que estão com suspeita ou confirmação de infecção pela Sars-CoV-2.
Idosos, atletas, obesos, gestantes e até crianças não estão livres de apresentarem sequelas e complicações da infecção. Ainda não há uma regra, mas já existe uma prevalência nas pessoas com doenças preexistentes, como diabetes, obesidade, imunodeficiência ou condições como tabagismo que podem agravar quadros pulmonares e nas pessoas mais idosas.
O cansaço falta de ar, perda de olfato e paladar, dores musculares (mialgia) e distúrbios de ansiedade, são sintomas ligados às sequelas da covid-19 que precisam ser combatidos de forma multidisciplinar. Por se tratar de um vírus novo, o Sars-CoV-2 ainda está em estudo no Brasil e exterior, para avaliar e entender as possíveis sequelas decorrentes da covid-19. Algumas alterações já foram dadas como reversíveis como problemas de paladar e olfato, mas outras ainda estão sendo investigadas.
Lembrando que, quando as complicações da covid-19 são identificadas precocemente, as sequelas serão sempre menores e o paciente poderá ter uma melhor qualidade de vida.
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