Em apenas dez dias, policiais civis deram prejuízo aos traficantes em mais de R$ 1,5 milhão em apreensões de skunk (supermaconha), carros e estruturas de cultivo para o entorpecente, que necessita de iluminação, umidificação e temperatura adequada. A droga que tem a tradução de gambá, em inglês, também é chamada da skank. Tem um odor muito mais forte que a maconha e, por isso, as estufas com as plantas também precisam de isolamento para não chamar a atenção de vizinhos.
Considerada como droga de “alto padrão” cada grama é comercializada, em média por R$ 50. Dependendo da pureza da droga, cada quilo é vendido de R$ 40 mil a R$ 70 mil. Já a maconha custa R$ 1,8 mil.
O delegado divisionário da 2ª Dise/Deic (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes da Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) Wilson Lavorenti disse que a investigação é para coibir esse tipo de tráfico. “Enquanto que nos locais de venda de drogas mais comuns como maconha, crack e cocaína há um grande fluxo de pessoas, no caso do skunk é diferente. Geralmente, alugam uma casa ou chácara, que fica fechada a maior parte do tempo e com poucas pessoas na residência”, afirmou o delegado.
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SKUNK
A droga tem a maior concentração de THC (tetra-hidrocanabinol), substância psicoativa com poder narcótico, do que a maconha comum.
“O skunk é a flor da planta, que é o ‘néctar’. Já nas porções de maconha vendidas nas biqueiras tem galho, semente, flor, folha e até esterco. Depois prensa tudo e faz o tijolo”, afirmou Marcelo de Oliveira, que atua na investigação da delegacia especializada.
INVESTIGAÇÃO
Os policiais civis já perceberam que há pessoas migrando para o tráfico de skunk. A primeira apreensão realizada pela Dise foi em outubro de 2017, quando um jovem foi preso com 90 mudas da planta dentro do seu apartamento. “Em novembro de 2018, nós fizemos um flagrante, no Piracicamirim com 6kg de skunk. No começo de 2020, um jovem cultivava a droga no Lago Azul”, disse Oliveira.
No último dia 10, os policiais localizaram uma casa, no Nova Piracicaba, que era usada exclusivamente para o cultivo da planta. O local contava com vedação nas portas e janela, além de iluminação especial. Cada lâmpada custa em média R$ 1 mil. Foram apreendidos 56kg de skunk. Um homem foi preso.
Dia 16, os policiais interceptaram quatro homens (dois de São Pedro e dois de Piracicaba) que faziam a escolta de 1,5kg de skunk que era trazida de São Paulo. No dia 20, dois homens que traziam a droga da Capital também foram presos. Eles foram abordados no Jardim Brasília.
“Existem países que o cultivo dessa planta é liberada. Muitas pessoas para adquirirem o conhecimento técnico compram cursos, via internet, importam a apostila e até mesmo vão para esses países e depois retornam e passam a ensinar outras pessoas”, comentou o policial.
Segundo ele, geralmente o skunk é trazido em sementes. Basta apenas uma semente por vaso. “Um pacote com 200 sementes cabe na palma da mão, bem diferente das drogas mais comuns, que muitas vezes são trazidas em tijolos", enfatizou o policial.
Cristiani Azanha
crisazanha@jpjornal.com.br