Um em cada quatro piracicabanos já recebeu o benefício na pandemia

Por edicao_jp |
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Um em cada quatro moradores de Piracicaba recebeu ao menos uma parcela de R$ 600 do auxílio emergencial. São 100.191 beneficiários, o que corresponde a 27,48% da população do município. Ao todo, foram pagos R$ 177,3 milhões em Piracicaba. Os dados são resultado de um levantamento feito pelo Jornal de Piracicaba, com base no cruzamento de dados do número de beneficiados por cidade, disponível no Portal da Transparência, com a estimativa populacional do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que é de 407.252 mil habitantes.

O auxílio foi criado em abril para amenizar os impactos financeiros durante a pandemia do novo coronavírus. A pesquisa realizada pelo JP leva em conta os dados disponíveis entre os meses de abril e julho.

Entre os moradores de Piracicaba que receberam o benefício está a microempreendedora Mariana Lopes, de 45 anos. Ela trabalha com a comercialização de acessórios para celulares e perfumes para ambientes via internet, mas viu as vendas caírem durante a pandemia. “Por conta da pandemia, os negócios deram uma boa caída. Pedi o auxílio por ser microempreendedora e não ter renda fixa. Me ajudou muito, paguei contas de casa como luz e telefone e usei também em supermercado”, diz.

Para o professor do Observatório da PUC (Pontifícia Universidade Católica) Campinas, o economista Paulo Oliveira, o auxílio tem evitado que a crise econômica atinja patamares piores de recessão. “Para se ter uma ideia da magnitude do benefício, o bolsa família, que é um dos maiores programas de transferência de renda da história do Brasil, cobriu em torno de 13% das famílias em 2019. O auxílio emergencial, a média nacional, hoje, é de 44% dos domicílios, ou seja, pouco menos da metade das residências foram beneficiadas pelo auxílio”, afirma.

O professor destaca ainda que se levado em conta o PIB (Produto Interno Bruto) de Piracicaba (R$ 21,8 bilhões em 2017), os R$ 177 milhões transferidos para o município tem um impacto relevante para cidade. “O valor representa pouco menos de 1% do PIB, portanto, tem uma importância de tamanho porque acaba gerando demanda de produtos locais, sobretudo bens básicos como alimentação e transporte”, pontua.

Também professora do Observatório da PUC Campinas, a economista Eliane Rosandiski, vê com preocupação a redução do valor do auxílio de R$ 600 para R$ 300 a partir deste mês. “A perda de poder de compra desse percentual da população terá efeitos negativos sobre a demanda e, possivelmente, sobre a base de recuperação econômica”, destaca.

A partir deste mês até dezembro, o governo federal pagará R$ 300 de auxílio emergencial. Segundo a economista, é difícil prever se a crise financeira se agravará nos próximos meses. “Mas o auxílio com certeza está impedindo uma queda maior porque há uma injeção de recurso expressiva na economia”, afirma.

Renda de 2018 impede ator de receber benefício
Apesar de quase 30% da população de Piracicaba ter conseguido o auxílio emergencial, nem todos foram contemplados com o benefício. Como é o caso do ator Romualdo Sarcedo, 53 anos. Ele teve o pedido negado por não se adequar a uma das regras estabelecidas. Pela lei 13.982/2020, não tem direito ao benefício quem teve rendimento superior a R$ 28,5 mil em 2018.

“Antes da pandemia, a minha renda sempre foi diretamente ligada aos projetos que conseguia realizar. Então, quanto mais projetos tivesse aprovado com empresas e entidades, melhor era meu rendimento. Esse auxílio, como o próprio nome diz, seria emergencial, para suprir o básico, não era algo para manter nenhum tipo de padrão de vida”, desabafa o artista.

Atualmente, Sarcedo está trabalhando com entregas. “Tentei na esfera federal, estadual e tive o cadastro travado, paciência. Estou correndo atrás, fazendo um trabalho temporário completamente fora da minha área, mas feliz porque está me possibilitando custear minhas despesas básicas”, afirma.

Pagamento indevido a 52 moradores gera devolução de R$ 34 mil à União

Pelo menos 52 piracicabanos receberam o auxílio emergencial de maneira indevida e já foram obrigados a devolver o benefício à União, num montante de R$ 34,2 mil. Esse levantamento está disponível no Portal da Transparência com dados relativos aos meses de abril a julho.

Balanço do TCU (Tribunal de Contas da União) identificou, em todo o país, 620.299 beneficiários do auxílio emergencial com algum indício de recebimento indevido. A descoberta foi possível após cruzamento de dados com as folhas de pagamento de abril de 2020. Foram identificadas diversas ações impeditivas, como renda acima do limite, beneficiário falecido e o recebimento de múltiplos benefícios.

Ana Carolina Leal

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