Há três meses a rotina do desempregado Mauro de Oliveira Dantas, conhecido como Paraná, 58, começava às 6h. Na pequena casa nos fundos de uma oficina mecânica, na rua Dona Nésia, ele preparava as garrafas de suco de laranja e de água em uma caixa térmica e seguia para a avenida Sud Mennucci, onde oferecia as mercadorias aos motoristas.
Esta foi a forma que ele encontrou para sustentar a esposa e os quatro filhos. Sem emprego há um ano e meio, antes da pandemia de covid-19 ele fazia bicos de cozinheiro, churrasqueiro e pizzaiolo. “Com a pandemia fiquei sem trabalho, mas as contas não pararam, tenho aluguel, água e luz para pagar”, contou.
A maneira encontrada para pagar as despesas e garantir comida à mesa foi vender água e suco nos semáforos. A esposa passou a produzir bolo em pote e o casal seguiu na informalidade.
Sem orientação e conhecimento, conforme ele próprio admitiu, Paraná teve sua rotina mudada na terça-feira, quando uma equipe da Guarda Civil o abordou e anunciou o recolhimento da mercadoria devido à falta de licença para ambulante. “Eu fiquei desesperado, eles queriam levar a minha mercadoria de onde eu compro comida para os meus filhos, eu chorei e implorei, mas não teve jeito”, contou emocionado.
A mercadoria só não foi recolhida porque uma funcionária da Semtre (Secretaria Municipal do Trabalho e Renda) interveio e o orientou a buscar a licença. “Ela ficou com pena de mim, e eles não levaram”, lembrou. Apesar de ainda estar com a mercadoria, que lhe garantia uma féria de aproximadamente R$ 50 ao dia, Paraná disse que não tem coragem de arriscar voltar às ruas.
“Eu quero e preciso de um emprego, quero ser registrado, como sempre trabalhei, quero me aposentar um dia”, afirmou.
AUMENTO
Em Piracicaba, de acordo com informações da Semtre, até o dia 1º de março havia 691 ambulantes cadastrados, sendo 156 itinerantes. Atualmente, a pasta registra 740 cadastros, dos quais 167 são itinerantes. A pasta informou que, para atuar como ambulante, o interessado deve, primeiramente, fazer uma solicitação respondendo um formulário online, no site da secretaria, para que seu pedido seja avaliado por um comitê, que reúne secretarias municipais.
As taxas variam de acordo com a modalidade. No formato Itinerante, que é como atuam os vendedores sem ponto fixo, a taxa anual pode variar de R$ 70 a R$ 250 dependendo do equipamento.
Beto Silva