Nada mudou: usuários flagram superlotação nos ônibus na pandemia

Por edicao_jp |
| Tempo de leitura: 3 min

Com a fase amarela de flexibilização das atividades econômicas, mais pessoas voltam ao trabalho e dependem do transporte coletivo. Nesse cenário, mesmo com aumento da frota, usuários enfrentam superlotação nos veículos. Além de menos horários, quem depende desse transporte preocupa-se com a falta de higienização dos carros entre uma viagem e outra em meio à pandemia.

Ao usar a linha 240 do TCE (Terminal do Cecap/Eldorado) para o TPI (Terminal do Piracicamirim) para ir trabalhar na manhã do último sábado (15), a moradora do bairro Cecap, Vanessa Vitti indignou-se com a aglomeração dentro do veículo pela qual os passageiros precisaram enfrentar e registrou a situação.

“São poucos ônibus. Horários muito espaçados entre um e outro, o que facilita a superlotação. Não só na linha do meu bairro como nos outros também. […] Eles podem alegar que dispuseram um volume maior da frota, que dependendo do bairro tem poucas pessoas que utilizam o ônibus, enfim. Sabemos disso, mas está realmente muito complicado se deslocar com a situação do jeito que está”, enfatiza. “Sábado isso ficou muito nítido. Pouco ônibus em circulação [e] muita gente para ir ao trabalho, outros para o centro”, complementa.

Vanessa lembra ainda que não vê mais, como no início da quarentena, a equipe da limpeza da empresa Tupi (Transporte Urbano Piracicaba) fazer a higienização dos veículos entre uma viagem e outra. “Não, de forma alguma! Desembarca uma turma e embarca outra direto. Não tem mais ninguém para fazer a higienização antes do embarque e desembarque”, conta.

A reportagem questionou o Semuttran (Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte) do por quê, mesmo na fase amarela, a frota da empresa Tupi não roda com 100% da capacidade. Em nota, a pasta afirmou que amplia a frota na medida em que há aumento no número de passageiros.

“Antes da pandemia, transportávamos em um dia útil uma média de 90.000 passageiros com 219 ônibus, sendo 199 ônibus + 10% de frota reserva. Atualmente, a média está em 36.000 passageiros por dia útil, e uma frota de 131 ônibus sendo 119 ônibus + 10% em frota reserva”, disse.

Sobre a questão da higienização, a Semuttran informou que a limpeza completa dos veículos ocorre quando chegam à garagem. “Ao longo do dia, uma equipe fica no Terminal Central higienizando os carros que param por mais de 15 minutos, dando prioridade aos veículos que passam por hospitais”, diz a nota.

O coordenador do Centro de Vigilância em Saúde (Cevisa), Moisés Taglieta, lembra de que a fase amarela flexibiliza as atividades econômicas, mas que não diminui a necessidade da manutenção do distanciamento social. “As pessoas que necessitam ir para rua ou estar em locais onde existem outras pessoas, essas precisam continuar mantendo o distanciamento de 1,5 metro – 2 metros das pessoas e utilizar máscara. O uso da máscara é coadjuvante ao distanciamento social”, reforça.

Taglieta observa ainda a necessidade do distanciamento social para evitar aglomeração nos pontos de ônibus e filas do comércio. “Não é só dentro do ônibus que as pessoas têm que tomar cuidado, é também antes de entrar no ônibus”, diz. “A orientação continua sendo a mesma: manter o máximo possível o distanciamento social e, quando não for possível ficar em casa, utilizar a máscara”, complementa.

Andressa Mota

Comentários

Comentários