O Governo do Estado de São Paulo confirmou ontem a regressão da região de Piracicaba para a fase vermelha do Plano São Paulo de enfrentamento à pandemia do coronavírus. Depois de uma semana em que o total de infectados somou 1.018 doentes e de atingir 150 mortos pela covid-19, a cidade e região regridem à fase vermelha. Piracicaba registrou ontem duas mortes e 131 novos casos da doença, somando 5.408 casos confirmados.
A partir da próxima segunda haverá restrição total de atendimento presencial nas atividades não essenciais de comércios e serviços em 26 cidades da área do DRS (Departamento Regional de Saúde) de Piracicaba.
“Nós temos que evitar a propagação da pandemia e a saturação do sistema de saúde pública. O Plano São Paulo prevê regressões para regiões em que a pandemia tenha se intensificado, o que é o caso de Piracicaba”, afirmou o governador João Doria (PSDB) durante avaliação.
“É muito importante que autoridades locais e a opinião pública dessas regiões compreendam que as medidas são para proteger vidas e a saúde das pessoas”, acrescentou o tucano.
De acordo com a avaliação semanal de autoridades estaduais e especialistas do Centro de Contingência do coronavírus em São Paulo, a pressão sobre leitos de UTI na região de Piracicaba nos últimos sete dias levou à regressão da fase laranja para alerta máximo. Na última quinta-feira, a taxa de ocupação de vagas por pacientes em estado grave com covid-19 atingiu 84,6%.
“Houve também um aumento de internações e de óbitos na região, mas a principal razão desta reclassificação é a ocupação de leitos. Medidas estão sendo tomadas para apoio da região, mas a recomendação agora é a reclassificação extraordinária para garantirmos o controle da pandemia”, afirmou a Secretária de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen.
“A aceleração está se dando de forma mais contundente no interior. Mas o Estado segue aumentando a capacidade hospitalar, mantendo o atendimento para todas as pessoas”, disse o Secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi.
AÇÕES NA CIDADE
O grupo de trabalho do coronavírus da Prefeitura de Piracicaba se reuniu ontem para discutir as principais ações na cidade no combate à pandemia da covid-19. Na semana passada a cidade estava na fase 2 (laranja), segundo o governo do Estado, mas o grupo pediu que o prefeito Barjas Negri (PSDB) mantivesse na fase 1 (Vermelha), na qual somente as atividades essenciais podem funcionar.
Ontem, com o anúncio do Estado de que a região foi para a fase 1, o grupo entendeu que a decisão tomada foi acertada, apesar da expectativa e a necessidade do comércio e de outras atividades não essenciais de reabertura.
Os números de pessoas infectadas e de óbitos continuava subindo. O decreto municipal publicado no último dia 13 estabelece que o município mantenha somente os serviços essenciais abertos até o dia 30 de julho. O prefeito disse que a decisão não é fácil, pois a retomada da economia é urgente.
“Mas ouvindo o grupo e principalmente o secretário municipal de Saúde (Pedro Mello), resolvemos enfrentar as resistências e permanecer com o comércio fechado”, afirmou Barjas.
O secretário de Saúde explicou a evolução da doença em números, que continua evoluindo num patamar estável alto. Pedro Mello afirmou que, grande parte da população não tem feito o isolamento social, o que provoca o aumento de pessoas contaminadas. Ele ainda comentou que a cidade vem trabalhando para ampliar o número de leitos de UTI e de enfermaria.
RETOMADA SEGURA
De acordo com o Estado, nas demais 15 áreas de saúde do interior e litoral e seis sub-regiões da Região Metropolitana da Capital, a classificação de retomada econômica se manteve a mesma anunciada no último dia 10. Na Grande São Paulo, apenas a sub-região Norte (Franco da Rocha) está na fase laranja, enquanto as demais continuam na etapa amarela.
No interior, há outras quatro regiões com restrição total ao atendimento presencial em estabelecimentos não essenciais: Araçatuba, Campinas, Franca e Ribeirão Preto. Na etapa laranja, ficam as áreas de Araraquara, Barretos, Bauru, Marília, Presidente Prudente, São João da Boa Vista, São José do Rio Preto, Sorocaba e Taubaté. Já as regiões da Baixada Santista e Registro estão na etapa amarela, com nível menos restrito de flexibilização.
QUATRO HORAS
A etapa laranja permite funcionamento com 20% da capacidade de atendimento presencial em escritórios em geral, imobiliárias, comércio de rua, shoppings e concessionárias. A abertura é restrita a quatro horas diárias, todos os dias, ou seis horas durante quatro dias e fechamento por outros três.
Na fase amarela, os municípios podem adotar rígidos protocolos sanitários para reabrir bares, restaurantes, salões de beleza com 40% da capacidade, além de academias com 30% de vagas e expediente diário de até seis horas.
A permanência por 28 dias seguidos nesta etapa também permite a reabertura, com limitações, de espaços culturais como museus, bibliotecas, cinemas, teatros e salas de espetáculos.
“Nós ainda estamos em quarentena e isso exige atenção redobrada das pessoas. A quarentena exige obediência rigorosa aos critérios sanitários aprovados pelo Centro de Contingência da covid-19 para o estado de São Paulo”, alertou o governador. A próxima reclassificação do Plano São Paulo está prevista para a próxima sexta.
Beto Silva