Covid-19 aulas à distância e a crise das faculdades

Por Antonio Carlos Giuliani |
| Tempo de leitura: 3 min

Com a expansão do coronavírus quase de 1,5 bilhão de alunos entre crianças e jovens foram afastados de escolas e universidades em mais de 160 países. As aulas para não serem canceladas foram adaptadas à EAD Ensino a Distância. Estudar em casa e sozinho não faz parte do paradigma da maioria dos alunos. As casas são cheias de distrações: sofá, cachorro, celular, TV e que não há um um professor orientando o tempo todo sobre o que se deve fazer. É preciso que o estudante se organize para conseguir estudar remotamente. A experiência em EAD, na forma como está sendo imposta ao cenário brasileiro devido à crise do coronavírus e sua doença associada, a Covid-19, exigirá de paciência dos alunos com os imprevistos porque nem todas as instituições estavam preparadas para uma crise como essa, sem precedentes. Muitas escolas e universidades estão fazendo o possível para garantir ferramentas, mas sem ao menos terem tempo hábil de testá-las ou capacitar as pessoas para seu uso. Sem falar que muitas vezes a tecnologia nos deixa na mão. O MEC publicou a portaria de nº 343 que autoriza a utilização de meios e tecnologias digitais para a substituição temporária das aulas presenciais em instituições de ensino superior (IES). Para o ensino, a recomendação do setor era para não cancelar as atividades, mas fazer com que professores e alunos trabalhem juntos e de forma remota pela internet, por meio de ambientes virtuais de aprendizagem. É evidente que a pandemia de covid-19 incentivou os estudantes para o EAD, mas piorou a crise das faculdades. Que buscam alternativas para sobreviver. A educação superior vem sofrendo a sua crise particular desde a desidratação do fundo de Financiamento Estudantil (FIES) a partir de 2010, e a queda do programa nos anos seguintes entre 2014 e 2019 o montante repassado pelo governo recuou de 13,6 bilhões de reais para 8 bilhões de reais. Nesse período para não agravar as perdas, algumas instituições lançaram o financiamento próprio, o que ampliou seus riscos financeiros em casos que a inadimplência ou a 40% outros fatores como o aumento da concorrência e a guerra de preços no ensino a distância (EAD) podem ser incluídos na crise das instituições de ensino. Agora com um cenário mais critico verifica-se outro fator impactante a redução na renda pela pandemia devendo ser incluído ainda que até o final de 2020, o Brasil poderá jogar mais 8 milhões de trabalhadores no desemprego, elevando o contingente para 20 milhões. Dados da consultoria Educar indicam queda de 17% no total de novos alunos previstos para o ano de 2020 de 2,5 milhões para 2,06 milhões. O número de matrículas alunos ingressantes e rematrículas para os veteranos para o meio de ano deverá cair 70%. Hoje a preocupação é se o aluno vai estudar ou não. Como a economia deverá levar um tempo para se recuperar, as instituições de ensino superior devem amargar um período mais longo de recuperação principalmente as instituições de ensino superior que oferecem cursos presenciais, mais caros. O Banco de investimento suíço UBS espera recuperação de consumo nesse segmento apenas para o segundo semestre de 2021. A consultoria Educa Insights mostrou que entre o público interessado em iniciar um curso superior presencial é de 7%para esse ano. Entre os que já estudam, 47% dos alunos presenciais disseram que correm o risco de desistir ante 36% dos alunos do cursos à distância. Nesse contexto para contornar as dificuldades adaptações necessárias devem ser apontadas para as instituições de ensino que não possuem infraestrutura adequada para oferecimento de um ensino a distância. Quem conseguiu se adaptar vai abraçar a mudança mesmo quando o isolamento social terminar. Mesmo as instituições tradicionais, mais avessas às novidades tecnológicas, estudam aumentar as aulas pela internet.

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