Idades de 61 a 80 anos são maioria entre vítimas na cidade

Por edicao_jp |
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Do total de mortes por covid-19 registradas em Piracicaba até a última segunda-feira, quando a cidade registrava um total de 53 mortes, 55% das vítimas (29) tinham idades entre 61 a 80 anos. O comportamento da doença é o mesmo verificado no restante do Estado de São Paulo que aponta a concentração dos óbitos em pacientes com mais de 60 anos, segundo o Estado, o percentual para esse público é de 73,5% das mortes.

Em Piracicaba, 39% dos óbitos (21) foram verificados em idosos acima de 81 anos, em seguida, pacientes de 41 a 60 anos (2) e por fim, uma vítima fatal com idade entre 21 e 40 anos.

Ontem, a cidade registrou cinco óbitos, sendo quatro mulheres de 62, 78, 85 e 92 anos e um homem de 81 anos. O número de infectados também aumentou nesta quarta-feira com os 44 diagnósticos da doença – 21 homens e 23 mulheres - que elevaram o total para 1.485 casos confirmados.

No Estado de São Paulo, entre as vítimas fatais estão 6.656 homens e 4.865 mulheres. De acordo com o governo, observando faixas etárias, nota-se que a mortalidade é maior entre 70 e 79 anos (2.734), seguida pelas faixas de 60 a 69 anos (2.651) e 80 e 89 anos (2.312). Entre as demais faixas estão os: menores de 10 anos (20), 10 a 19 anos (29), 20 a 29 anos (89), 30 a 39 anos (417), 40 a 49 anos (854), 50 a 59 anos (1.643) e maiores de 90 anos (772).

Os principais fatores de risco associados à mortalidade são cardiopatia (57,9% dos óbitos), diabetes mellitus (43%), doenças neurológica (11,2%) e renal (10%), pneumopatia (8,6%). Outros fatores identificados são obesidade (6,9%), imunodepressão (6,5%), asma (3,2%), doenças hepática (2,2%) e hematológica (2,1%), Síndrome de Down (0,4%), puerpério (0,1%) e gestação (0,1%). Esses fatores de risco foram identificados em 9.258 pessoas que faleceram por COVID-19 (80,4%).

MORTES NO ESTADO

O Estado de São Paulo registrou ontem 11.521 óbitos e 191.517 casos confirmados do novo coronavírus. Entre as pessoas diagnosticadas com a covid-19, 34.599 foram internadas, curadas e tiveram alta hospitalar.

Dos 645 municípios, houve pelo menos uma pessoa infectada em 585 cidades, sendo 319 com um ou mais óbitos.

As taxas de ocupação dos leitos de UTI são de 77,3% na Grande São Paulo e 67% no Estado. O número de pacientes internados é de 13.680, sendo 8.423 em enfermaria e 5.257 em unidades de terapia intensiva.

Nesta quarta-feira a plataforma E-SUS onde os municípios registram os casos confirmados apresentou instabilidade e parcela significativa de casos do dia serão contabilizados no dia de amanhã.

Entre as pessoas que já tiveram confirmação para o novo coronavírus estão 90.325 homens e 100.955 mulheres. Outras 237 pessoas não foi informaram o sexo.

A faixa etária que mais concentra casos é a de 30 a 39 anos (46.938), seguida pelas faixas de 40 a 49 (42.583), 50 a 59 (30.072), 20 a 29 (26.939), 60 a 69 (18.040), 70 a 79 (10.570), 80 a 89 (6.140), 10 a 19 (5.168), menores de 10 anos (2.991) e maiores de 90 (1.860). Não consta faixa etária para outros 216 casos.

RESPIRADORES NO HRP
O HRP (Hospital Regional de Piracicaba) Dra. Zilda Arns recebeu 20 respiradores e 20 monitores multiparamétricos do Governo do Estado. Os equipamentos foram entregues no dia 26 de maio e fazem parte de um pacote destinado para os hospitais da região de Campinas e de Piracicaba.

Os novos aparelhos são para a ampliação de leitos nas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) exclusivos para pacientes com coronavírus em estado grave. O HRP é referência para casos de covid-19.

Desde o registro do primeiro caso no hospital, já foram atendidos 397 pacientes.

O HRP informou que boa parte dos equipamento está montada.

A distribuição pelo Estado é técnica e leva em consideração a demanda de internações pela doença e com condições estruturais para a implantação de para leitos, permitindo ampliação da capacidade de atendimento da rede pública de saúde.

PANDEMIA GRAVE
“Este é um momento de extrema cautela”. A afirmação, registrada pela Agência Brasil, foi feita por Michael Ryan, diretor executivo do programa de emergências da OMS (Organização Mundial da Saúde), durante a coletiva de imprensa de ontem. O evento informa sobre os andamentos nas pesquisas e a evolução no combate ao novo coronavírus em escala global.

De acordo com Ryan a situação no Brasil ainda é classificada como grave. Os sinais de estabilização do contágio e do número de casos graves e óbitos não são, necessariamente, sinais de vitória sobre a doença. “Já vimos isso antes em epidemias em outros países. Pode-se ver um sinal de estabilização durante um dia, ou alguns dias, e a [ocorrência da] doença pode subir novamente. Deve haver um foco no distanciamento social, na higiene e nos esforços para evitar aglomerações”, afirmou.

Michael Ryan frisou ainda que populações de minorias étnicas e pessoas em condições de pobreza nos ambientes urbanos devem ter apoio especial, já que não possuem condições para realizar o distanciamento social e manter a higiene necessária para conter o avanço do novo coronavírus.

“Penso que, na perspectiva do Brasil, agora realmente é um momento de dobrar as apostas no sistema público de saúde e nas medidas sociais. [É o momento de] focar em ajudar comunidades e garantir que o sistema hospitalar continue funcionando e seja capaz de tratar pacientes graves”, afirmou o médico.

“Não tenho dúvidas do compromisso total, engenhosidade do governo brasileiro, dos estados, das pessoas para achar uma maneira de colocar a doença sob controle. [O Brasil] emergirá dessa situação o mais rápido possível”, concluiu Ryan.

Beto Silva

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