A Prefeitura de Piracicaba anunciou ontem a nova empresa que vai operar o sistema de transporte público a partir deste sábado, substituindo a Via Ágil. A Trans Acreana firmou contrato emergencial de seis meses de operação no valor de R$ 34,481 milhões. Esse valor, segundo explicou o secretário de Trânsito e Transportes, Jorge Akira, será custeado pela venda das passagens e subsidiado pela prefeitura a partir da demanda de passageiros.
Segundo a administração, a empresa começa a providenciar a vinda dos ônibus e a contratação de pessoal nos próximos dois dias.
De acordo com a prefeitura, foram consultadas seis empresas, das quais três apresentaram propostas e as outras três declinaram. A melhor proposta foi da Trans Acreana Ltda.
As informações divulgadas pela prefeitura indicam que a Trans Acreana, com sede na cidade de Rio Branco, no Acre, está montando uma filial no Estado e, a partir de hoje, começa a contratação inicial de 300 funcionários, dos quais 190 motoristas e mais 110 para as áreas de administração e manutenção.
A empresa começa a operar neste sábado com 80 veículos – 40% da frota – seguindo as rotas e horários implantados pela Via Ágil durante a pandemia, incluindo o projeto social Elevar. Porém, a integralidade do contrato será cumprida gradativamente após a pandemia.
Por meio da assessoria de imprensa, o secretário disse que, desde o dia 17 de abril, quando a Via Ágil confirmou sua saída, um grupo de trabalho começou a estudar alternativas para evitar a descontinuidade dos serviços para não prejudicar a população.
O secretário explicou que foi difícil, neste momento de pandemia, que as empresas aceitassem participar da contratação emergencial, porque no Estado de São Paulo houve uma queda de 75% do volume de passageiros pagantes no transporte coletivo.
Akira comentou que a crise no setor do transporte público é tão grande que, em algumas cidades, as empresas concessionárias abandonaram os contratos.
O secretário explicou que a empresa continuará atendendo os passageiros na sede da Semuttran (ao lado do Terminal Central) e os ônibus aceitarão o cartão Vai (Via Ágil), porque pelo contrato a nova concessionária usará o sistema de bilhetagem da TransData, evitando transtornos aos usuários.
“Toda a equipe da Semuttran estará atenta à transição, mas a secretaria pede à população um pouco de compreensão para as pequenas falhas iniciais, que serão corrigidas o mais rápido possível para não prejudicar os usuários”, informou a prefeitura.
QUESTIONAMENTO
Nesta semana, o presidente da Câmara de Vereadores, Gilmar Rotta (Cidadania) questionou a prefeitura sobre a rescisão de contrato com a Via Ágil.
Em requerimento e em ofício encaminhado ao prefeito Barjas Negri (PSDB), o vereador perguntou quais foram as razões apresentadas pela Via Ágil para decretar o fim da prestação do serviço em Piracicaba e se havia plano emergencial a ser adotado pela Prefeitura.
Rotta solicitou o envio de cópia do distrato firmado entre a Via Ágil e a Prefeitura, e questiona as condições exigidas para que o contrato fosse rompido de forma amigável.
O parlamentar perguntou quando a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes foi informada de que a Via Ágil atravessava problemas de gestão operacional e financeira e pediu cópia do estudo elaborado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), contratada pela pasta para apurar os créditos e as dívidas da empresa com o município.
Sobre o futuro do transporte público em Piracicaba, Rotta questionou qual será a modalidade de escolha da nova empresa que vai operar na cidade.
O presidente do Legislativo também solicitou informações sobre o tempo total em que ela esteve à frente do transporte coletivo em Piracicaba; se também atua, ou já prestou o serviço, em outros municípios; qual o valor do subsídio mensal que vinha sendo pago pela Prefeitura à empresa; quantas linhas de ônibus operavam atualmente na cidade; e quantos veículos a Via Ágil disponibiliza diariamente para o transporte de passageiros.
HISTÓRICO
A licitação do transporte público para contratação da Via Ágil em 2013 se arrastou desde 2010 em função de impugnações judiciais. Três anos depois, a concorrência foi liberada sem que o Executivo anunciasse o formato e a concessionária vencedora.
A nova concessionária começou a operar em outubro de 2013. Na época, a Prefeitura publicou no Diário Oficial do Município, informação sobre o contrato de R$ 1,47 bilhão e 25 anos de vigência.
A prefeitura informou na ocasião que não haveria retirada nem acréscimo das 98 linhas existentes e, incluindo as 15 vans e microônibus do projeto Elevar, serão mantidos os 239 veículos da frota em operação. Até junho haverá a troca dos 50 ônibus mais velhos por novos e três novas vans para o Elevar, que atende deficientes.
A idade da frota, que na época era de 4,8 anos, foi reduzida para entre 3 e 4 anos.
Beto Silva