Os consultórios odontológicos estão na linha de frente contra a disseminação da covid-19. Devido ao contato direto com a boca, uma das principais vias de contágio da doença que já matou 13 pessoas em Piracicaba, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estipulou uma série de recomendações para os atendimentos neste período. O setor, destaca Ben Hur Zambello, o delegado da regional do Crosp (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo), assim como tantos outros, será impactado para sempre, e exigirá, por exemplo, o uso de máscaras pelos pacientes já nas salas de espera.
A recomendação da Anvisa, conta Zambello, é para que atendimentos odontológicos eletivos sejam adiados. “O decreto, no entanto, possibilita que consultórios fiquem abertos, para atendem eventuais casos considerados urgentes ou de emergência. Afinal, ninguém pode ficar com dor de dente. Um tratamento de cárie ou canal entram neste perfil de urgência”, ele ressalta.
No documento, a agência aponta que a urgência de um procedimento odontológico é uma decisão baseada em julgamento clínico, cabendo ao profissional avaliar cada caso. “Cada dentista é quem vai, de fato, avaliar cada caso e, se for necessário realizar o atendimento, deve tomar sempre todas as medidas de higiene”, completa Zambello.
De acordo com o delegado regional do Crosp, os cerca de 1.000 dentistas de Piracicaba cumprem as exigências sanitárias da Anvisa para o ofício. “O paciente, ao chegar no consultório, deve ter a febre medida. A pessoa já pode fazer este procedimento antes do deslocamento e, se apresentar alteração na temperatura ou algum sintoma da doença, deve adiar a consulta”.
O dentista, para realizar o atendimento, agora precisa utilizar mais um acessório: uma máscara facial com barreira acrílica para proteger todo o rosto. “O profissional já trabalha bastante precavido com luvas, máscara e roupa própria, porque antes da covid-19, existem outros vírus que demandam cuidados para se evitar o contágio”, explica Zambello.
Quanto ao ambiente, o delegado do Crosp revela que a determinação é para fazer a desinfecção nos consultórios após cada atendimento, pode ser com álcool 70º, mesmo. “E também fazer a desinfecção com a entrada de ar. O ambiente deve estar sempre arejado para evitar que o vírus fique preso no lugar”. Segundo Zambello, os atendimentos, quando urgentes, devem acontecer com um espaço de ao menos 40 minutos, entre um cliente e outro.
A pandemia, ele acredita, vai deixar marcas na odontologia. “Terão que se adaptar, como evitar aglomerações nas salas de espera e o suo mais frequente de máscara e diversos ambientes”.
Erick Tedesco