Neste cenário de incerteza econômica, funcionários e microempreendedores se veem diante de um dos maiores desafios da vida profissional: manter-se no emprego ou se reinventar para encontrar um lugar no mercado de trabalho, o que não está fácil.
A suspensão do contrato de trabalho com estabilidade e benefícios é o cenário vivido pelo ferramenteiro Clayton de Araújo, que trabalha há pouco mais de 3 anos na Hyundai. “Se ficarmos 30 dias afastados, teremos o mesmo tempo de estabilidade”, explica.
Para ele, a decisão encontrada pela empresa e pelo sindicato foi “uma ótima alternativa para manter o emprego de todos os funcionários e o distanciamento social”, pontua Araújo.
Do setor de alimentos, essa não é a situação vivida pelo ex-sub-gerente do restaurante Madero, Jorge Alexandre. Ele não entrou na lista de funcionários que tiveram salários reduzidos ou contratos suspensos na rede e foi dispensado já no começo da pandemia.
Com dificuldades para se recolocar no mercado neste momento, Alexandre recebe o seguro-desemprego. “A área que eu trabalho foi a que mais foi afetada por essa pandemia”, lembra.
Microempreendedores, Tiago Teixeira, de peixaria em varejões, Marjorye Dal Pozzo, dona de salão de cabeleireiro, e Ademir Rodrigues, jardineiro, também sentem no bolso a queda da demanda do mês de março e abril.
Prestes a completar 70 anos, Rodrigues continua na labuta e conta que, pela pandemia, foi dispensado de prestar serviços a um condomínio – onde trabalhava há quase 14 anos – e também perdeu outros clientes. “Perdi mais de 40% [da renda]”, conta. “Vamos pedir pra Deus que logo tudo isso acabe e comece a aparecer serviço”, torce.
Já Marjorye, depois de 31 dias com o salão fechado e com o faturamento do mês negativo, ela reabriu o salão em 23 de abril, com autorização do decreto municipal 18.252.
Com todas as medidas de proteção contra a covid-19, a cabeleireira se organiza para os próximos meses. “Sempre fui muito organizada financeiramente, então não precisei recorrer a empréstimos, mas estou tratando tudo com muita cautela, pois não sabemos como ficará a economia durante a após a pandemia”, relata Marjorye.
Na visão de Teixeira, o impacto da pandemia há de vir ainda com mais força nos próximos meses, quando diminuir a circulação de dinheiro. “A pandemia veioa justamente na época da quaresma e da Semana Santa, que é o período de maior faturamento para peixarias”, comenta. “No meio de tantas incertezas, resolvemos arriscar e investimos bastante e felizmente deu certo. Assim temos conseguido nos manter e estamos razoavelmente preparados para tempos difíceis, se eles vierem”, enfatiza.
Andressa Mota