O enfermeiro Micael Martins Mischiatti, 36 anos, é o primeiro profissional de saúde de Piracicaba a ser curado de coronavírus. A doença foi diagnosticada no dia 28 de março e, segundo ele, provavelmente o contágio ocorreu durante suas atividades profissionais. Micael é enfermeiro na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal da Unimed Piracicaba.
Micael contou que começou a apresentar febre alta, sentir dores de cabeça e no corpo e mal estar. Os sintomas duraram cinco dias. O resultado chegaria três dias após a realização do exame.
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“Quando eu soube do resultado fiquei arrasado”, lembrou. O enfermeiro disse que no quarto dia de sintomas já era acompanhado pela equipe médica da Unimed.
No quinto dia, os médicos iniciaram o tratamento com cloroquina e azitromicina. “Após o início das medicações eu comecei a melhorar, no terceiro dia já estava 70% bem e no último dia (5º) eu realmente já estava 100% ”, contou.
Para ele, o apoio da equipe e uso da medicação fez a diferença na recueração. O exame foi repetido no ultimo dia e o resultado foi negativo. “Eu já estava curado e voltei às atividades de trabalho”, comemorou. Micael disse que não tem comorbidade, faz atividades físicas e não tem doença.
Casado e sem filhos, ele fala com alegria que a mulher, apesar de apresentar sintomas leves, testou negativo para o coronavírus. O enfermeiro ficou em isolamento domiciliar por 14 dias, não precisou ficar internado e depois desse período, repetiu o exame.
“Se alguém ainda tem dúvida sobre o uso da cloroquina, eu ressalto que só comecei a apresentar melhora quando fiz uso da medicação, com a associação da azitromicina eu fiquei super bem e me recuperei rápido”, afirmou.
Quanto ao isolamento social imposto pelo governo, Micael defende o bom senso. “Não pode pender para o extremo de isolamento total e, como profisisonal de saúde, não pode haver afrouxamento total”, afirmou.
1º NA SANTA CASA
O primeiro paciente a ser internado com o novo coronavírus na Santa Casa de Piracicaba teve alta hospitalar na última sexta-feira. Luiz Degaspari, 69 anos estava internado desde o dia 5 de abril em ala exclusiva do hospital destinada aos pacientes diagnosticados com Covid-19.
No momento da alta hospitalar a equipe de médicos e enfermeiros, que cuidaram do paciente, preparou uma despedida emocionante.
De acordo com o infectologista e coordenador do Controle de Infecção Hospitalar da Santa Casa, Hamilton Bonilha de Moraes, o paciente recebeu alta devido sua melhora clínica, mas que o tratamento continua em casa em isolamento social.
“O processo de recuperação dos pacientes acontece de duas formas: a ‘cura clínica’, quando não há mais sintomas da doença e a ‘cura microbiológica’, que é quando o organismo eliminou totalmente o vírus, algo que pode demorar mais para acontecer”, disse Hamilton ao explicar que isso varia muito de pessoa para pessoa.
Beto Silva
beto.silva@jpjornal.com.br