Um dos momentos mais esperados da gravidez: o nascimento, também passou por adaptações durante a quarentena. E as novas mamães enfrentam o desafio do isolamento social com um significado de esperança por dias melhores para seus bebês. Só em Piracicaba, no tempo em foi decretada a quarentena no Estado de São Paulo, de 23 de março a 12 de abril, nasceram 348 crianças, segundo dados dos hospitais Unimed Piracicaba (114), Santa Casa de Misericórdia de Piracicaba (127) e Fornecedores de Cana (112).
Para trazer a pequena Lorena ao mundo, a escrituraria e mãe de primeira viagem, Flávia da Silva Bobillo precisou mudar os planos 15 dias antes do nascimento, que ocorreu em 31 de março. A intenção dela era tirar a licença maternidade quase no dia de dar à luz, mas como passou a fazer parte do grupo de risco, ficou em casa mais cedo. Outra mudança de plano foi na hora do parto. Flávia não pode ter a companhia do marido no hospital. Já em casa outro desafio: não pode contar com a ajuda da mãe, algo tão natural com as parturientes.
“A gente estava naquela insegurança, será que no hospital vai estar tudo em ordem?, será que a gente não vai pegar nenhuma infecção, nenhuma doença?. Foi bem complicado e estar no hospital sem receber nenhum parente. Meu esposo não pode ficar. Já estava tudo certo que ele ia ver o parto, que ele ia ficar comigo. A gente já tinha alguns planos que tiveram que ser deixados de lado por causa da saúde dela”, relata Flávia.
A experiência de trazer Lorena a um mundo tão mudado também precisou postergar o contato da bebê com os avós. Tanto os pais de Flávia quanto o sogro só viram a neta pessoalmente uma vez, com um metro de distância, e com Flávia e Lorena dentro do carro, no dia da primeira consulta ao pediatra.
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Mesmo assim, a família acompanha cada detalhe dos primeiros dias de Lorena. “Eu tenho mandado foto a cada segundo, a qualquer movimento dela, qualquer sorriso, qualquer coisa que ela faça diferente”, conta Flávia.
Joyce Batista também é mamãe de primeira viagem e deu à luz ao Caio no dia 6 de abril. Com uma decisão hospitalar de última hora, seu esposo pode estar presente durante no parto. “A princípio eles falaram que não podia entrar ninguém, só a gestante, […] só que como lá no hospital eles isolaram a parte da maternidade, podia entrar pelo menos um acompanhante, com todo equipamento, de máscara e roupa”, lembra Joyce.
Com todos os cuidados, Joyce está recebendo a ajuda de sua mãe, sogra e cunhada, uma por dia. “Vem com máscara, a gente molha um pano na cândida de deixa na porta para limpar o calçado e álcool em gel e o sabão para lavar as mãos”, explica.
A recomendação de não receber visitas para conhecer Caio e a autorização de alguém de fora ajudar de Joyce nos primeiros dias após o parto foram do seu médico. “Ele [o médico] pediu para não receber visita por enquanto, a não ser a pessoa que irá cuidar de mim e do bebê e o mínimo de pessoas possível”, comenta Joyce.
Ela conta ainda que os demais familiares entenderam a situação, afinal a saúde do bebê vem em primeiro lugar. “A gente ficou preocupado com a saúde dele, mas com o pensamento de que ele [veio] ao mundo com um propósito. A gente espera que se resolva tudo e que ele seja uma criança feliz e traga a luz”, torce a nova mamãe.
Andressa Mota