Ansiedade, independente se causada ou não pelas incertezas diárias diante da pandemia da Covid-19, não é um distúrbio anormal ao brasileiro. Um levantamento da OMS (Organização Mundial de Saúde) aponta que quase 10% da população brasileira são de pessoas ansiosas, um dos índices mais altos do mundo. O isolamento social imposto pela quarentena, por certo, é o quadro perfeito para ativar este incômodo sentimento.
O chamado TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada) se caracteriza pela expectativa apreensiva e pelo medo de situações comuns, a ponto de interferir na rotina do indivíduo. Em pouco menos de um mês de confinamento, segundo determinações dos governos estaduais, é claro que a rotina de muitos já foi completamente bagunçada, pior, sem perspectiva de quando se normalizará.
“Os números da ansiedade e da depressão (transtornos que em muitos casos têm ligação) isão alarmantes e o Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo”, aponta o doutor em psicanálise Júnior Ometto, que também é professor universitário e especialista em Inteligência Emocional e Desenvolvimento de Pessoas e Negócios.
No entanto, Ometto ressalta que a ansiedade não é por si só negativa. “É ela que nos ajuda a enfrentar desafios, a vencer a emoção, o medo e, portanto, surge principalmente em situações de conflito, como estamos passando atualmente com a pandemia e o isolamento”. Quando a pessoa sentir que existe este desequilíbrio, ele orienta que se busque um profissional da saúde mental.
A ansiedade também pode trazer vários prejuízos físicos e emocionais diante da incerteza do futuro, como por exemplo, as doenças chamadas psicossomáticas, explica o especialista. “As mais recorrentes são queda da imunidade, dores pelo corpo, além do agravamento ou da antecipação de outras doenças mais sérias, além de causar transtornos ligados ao sono, dificuldades nas relações sociais, queda no desempenho cognitivo, falta de motivação, cansaço, fraqueza, etc”.
O momento, destaca Ometto, é de enfrentar conflitos e buscar viver melhor, com saúde mental e inteligência emocional. “O sofrimento e a angústia são situações que o ser humano vai viver por toda a vida. Não tem como escapar. O momento que estamos vivendo é um deles”.
E contra a negatividade do cérebro - “a neurociência já provou que nosso cérebro é prioritariamente negativo”, ele revela ao afirmar que a melhor prevenção é o autoconhecimento. “Quando nos entendemos, nos libertamos. Nos encontramos com nossa essência, e é ela que cura e traz alicerce emocional para curto, médio e longo prazo”. É, ainda, o momento de fugir das fake news, “ que apenas produzem mais confusão e acirra a ansiedade e o medo”.
Diante da crise da Covid-19, é também momento de crescimento pessoal e profissional, complementa o especialista. “Até uma nova língua é possível aprender nesta fase! O diálogo pode ressuscitar em algumas famílias e relacionamentos e a empatia pode ganhar maior espaço na humanidade. Criatividade, olhar com outros olhos, aceitar a saída da zona de conforto… se entender consigo mesmo, fazer terapia”.
Erick Tedesco