Como empreender em meio a pandemia

Por Antonio Carlos Giuliani |
| Tempo de leitura: 3 min

Vivencia-se uma das maiores crises sanitárias do mundo em razão da pandemia provocada pelo novo coronavírus, o Covid-19. Trata-se de uma crise de saúde pública que importará efeitos econômicos desastrosos para toda a sociedade, especialmente por estar no isolamento social seu principal antídoto.

Num cenário em que não se sabe como se comportar diante dos acontecimentos que afetam os setores ocasionando quedas significativas de consumo e consequências em curto e médio prazos, é necessário ter um espírito racional, porém otimista, e colaborativo, para transformar o momento de ameaças em oportunidades para as organizações, buscar alternativas, inovar mesmo que haja riscos, enfrentar problemas, modificar as organizações, o que vai contribuir para amenizar o cenário econômico. O que fazer numa situação de incertezas? Essa é a pergunta fundamental a ser feita quando precisamos empreender com ações rápidas e consistentes. É um momento de união para reconstruir o que ficou danificado.

De acordo com estimativa da assessoria econômica da Fecomercio SP, o consumo em curto prazo deve ser de produtos básicos, como alimentos, remédios e itens de higiene. Bens duráveis e semiduráveis, como eletroeletrônicos, roupas, móveis, tendem a ter suas compras adiadas. As pequenas empresas são as que mais empregam no País, mas têm pouca capacidade de estoque, e o caixa opera no limite para o fluxo do dia a dia.

O fato de elas estarem vivenciando uma fase ruim não significa que seus projetos não são bons e que suas oportunidades se acabaram. É importante ressaltar que o verdadeiro empreendedor não olha com ênfase o macro, e sim o micro, um nicho, uma necessidade que não está sendo atendida. Em cenários conturbados, deve-se farejar uma boa oportunidade, e o ambiente mais restrito obriga o empresário a redobrar sua atenção com o planejamento do negócio.

O empreendedor brasileiro ainda comete erros básicos, tais como: não conhece seus clientes e os hábitos de consumo deles, bem como seus concorrentes, o que ocorre com grande parte dos empreendedores, e desconhece qual o capital de giro necessário para manter o negócio em atividade. Ao elaborar suas ações para um período ruim, é preciso ser inovador e, ao mesmo tempo, ter cautela nas decisões. No auge da pandemia, o fluxo de receita tende a cair, as margens reduzem, o que exige redobrar a atenção aos custos, pois até os centavos devem ser considerados.

O segredo é identificar demandas das pessoas que não estão sendo atendidas e oferecer produtos ou serviços por um custo menor, de modo que eles cheguem ao consumidor. Em tempos de sobrevivência, o líder de uma organização necessita encontrar soluções para que a economia não segure seu perfil empreendedor, ou seja, precisa estar apto a assumir os riscos e as oportunidades pertinentes ao tipo de negócio em que atua e também estar ciente de que a ocasião demanda ações rápidas. Nesse sentido, mesmo sabendo que o ponto de equilíbrio não será atingido, procure fazer a diferença e sempre se preocupe com detalhes.

O momento é de estratégia de sobrevivência. Assim, empreender requer uma contínua reflexão sobre o que acontece ao nosso redor e não depende apenas do querer, tem de estar em você, pois nem todos nasceram para ser empreendedores e nem para assumir riscos e conviver com eles. Não espere as coisas acontecerem, faça com que elas aconteçam!

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