Brasil

OS PONTÍFICES E A DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA

Por Pe. Antônio Aparecido AlvesDoutor em Teologia e Docente na Faculdade Católica-SJC |
| Tempo de leitura: 2 min
Homenagem. A solenidade de São Pedro e São Paulo está próxima
Homenagem. A solenidade de São Pedro e São Paulo está próxima

TA proximidade da Solenidade de São Pedro e São Paulo e o "Dia do Papa" nos convidam a refletir sobre a importância que tiveram os Sumos Pontífices para o que chamamos hoje de "Doutrina Social da Igreja". É necessário acentuar que o Decreto Christus Dominus sobre o múnus pastoral dos Bispos na Igreja, evidencia, no que se refere à questão social, que estes devem ensinar o valor da pessoa humana, de sua liberdade e de sua própria vida física, econômica e social (Decreto Christus Dominus, n. 12).

Em seguida, destaca o Decreto que os Bispos devem ensinar essa doutrina social com "um método adaptado às necessidades dos tempos", de tal modo que esse corresponda "às dificuldades e aos problemas" que afligem diretamente às pessoas, e "com especial cuidado se interessem pelos pobres e humildes, para cuja evangelização os mandou o Senhor" (Idem, n. 13).

Ora, é claro que isto se aplica especialmente ao Bispo de Roma, que tem o primado no Colégio Episcopal.

As diversas fases do Magistério social Pontifício. Olhando em uma perspectiva histórica, podemos identificar algumas fases no ensino social dos Papas:

1) Uma primeira, que poderíamos chamar hoje de "clássica", se refere a temas como operariado, salário, trabalho e papel do Estado, localizada geograficamente no norte da Europa e dentro do que chamamos de "revolução industrial".

2) Uma segunda fase começou com o magistério social de João XXIII e Paulo VI e poderíamos dizer que houve uma amplitude, seja de destinatários como também amplitude geográfica, porque em ambos a abrangência da doutrina social vai fora do limite da Europa".

3) Depois, podemos constatar uma terceira fase, que caracteriza-se como "evangelização da cultura", presente no magistério social de João Paulo II e Bento XVI. João Paulo II refere-se à existência de "mecanismos perversos" (Solicitudo rei socialis n. 17,35, 40) e de um "sistema ético e cultural", que preside a organização da sociedade, chamado por ele de "cultura de morte" (Centesimus annus n. 39) e que é necessário ser evangelizada (idem, 50-53).

4) Por fim, podemos afirmar que estamos em uma quarta fase da Doutrina social, inaugurada pelo Papa Francisco, a começar pelo nome que ele escolheu e que remete diretamente a um santo amante da pobreza e dos pobres.

Há que se acentuar, ainda, sua preocupação com a questão ambiental na 'Laudato Si', mas enquanto relacionada à vida dos mais pobres. Dentre as propostas levantadas por ele para o nosso tempo, está o apelo a uma mudança no estilo de produção e consumo atualmente determinadas pelo mercado e gerador de necessidades artificiais..

Comentários

Comentários