“Nesse momento há um sentimento de impunidade. Não era a Justiça que a gente esperava que acontecesse.”
Foi assim que Laura Berthoud se manifestou nesta terça-feira (13) sobre a morte de Carlos Eduardo Barbosa Vieira Leite, de 25 anos, preso preventivamente pelo feminicídio de sua irmã, Lívia Berthoud, de 23 anos, em Pindamonhangaba.
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Em um vídeo publicado nas redes sociais, Laura informou que a família foi comunicada sobre a morte do investigado e explicou que decidiu se pronunciar para atualizar as pessoas que acompanharam o caso desde o início. Ela também ressaltou que não há comemoração pela morte dele.
“Não era a Justiça que a gente esperava que acontecesse. Assim, não há celebração da morte dele, mas estou vindo aqui com responsabilidade avisar todos vocês que nos acompanharam desde o primeiro dia. Então, esse foi o desfecho. Ele faleceu”, afirmou.
Dor da família
Em outra publicação nas redes sociais, Laura comentou as manifestações de solidariedade à família de Carlos Eduardo e pediu que o sofrimento dos familiares dele não seja colocado no mesmo patamar da dor vivida pelos parentes de Lívia.
Ela afirmou compreender o luto da família do investigado, mas destacou que a morte da irmã foi resultado de um ato de violência que interrompeu uma vida e impediu a estudante de realizar seus planos.
“Minha irmã não teve escolha, não teve a oportunidade de continuar vivendo, de realizar seus sonhos ou de construir seu futuro”, escreveu Laura.
A irmã de Lívia também afirmou que não pretende desrespeitar os familiares de Carlos Eduardo nem transformar o sofrimento em uma disputa. Para ela, porém, é necessário reconhecer a diferença entre perder alguém e perder uma pessoa vítima de violência.
“Respeito a dor de todos, mas peço que, ao tentar acolher uma família, não se acabe relativizando a dimensão da violência que destruiu a outra”, publicou.
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Internação em São Paulo
Carlos Eduardo morreu na segunda-feira (12), enquanto estava internado no Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário, na capital paulista. Segundo o boletim de ocorrência de morte suspeita, o óbito foi registrado às 8h53.
O corpo foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) para exame necroscópico, que deverá esclarecer a causa da morte. Até a conclusão dos exames, não há confirmação sobre as circunstâncias do óbito.
Ele estava sob custódia desde agosto, quando foi apontado pela Polícia Civil como responsável pelo assassinato da ex-namorada. Após o crime, sofreu um ferimento autoinfligido por arma de fogo e precisou de atendimento médico. Em setembro, foi transferido para a unidade hospitalar do sistema penitenciário, onde permaneceu internado.
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Feminicídio de Lívia
Lívia foi morta a tiros na manhã de 10 de agosto, após sair de uma academia em Pindamonhangaba. Estudante do último semestre de Direito na Unitau (Universidade de Taubaté), ela também fazia estágio no Tribunal de Justiça de São Paulo.
Segundo as investigações, a jovem foi perseguida pelo ex-namorado e tentou escapar antes de ser atingida pelos disparos. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado, mas a morte foi constatada no local.
O caso provocou forte repercussão no Vale do Paraíba porque Lívia havia conseguido uma medida protetiva de urgência contra Carlos Eduardo poucos dias antes do assassinato. Familiares relataram ameaças anteriores e afirmaram que ele não aceitava o fim do relacionamento.
Durante a apuração, também foram relatadas tentativas de contato por meio de transferências via Pix, após a estudante bloquear o ex-namorado em aplicativos e redes sociais. De acordo com os relatos, os campos de descrição dos pagamentos teriam sido utilizados para enviar mensagens, inclusive ameaças.
A Polícia Civil reuniu outros elementos para a investigação, entre eles celulares, uma carta manuscrita e um revólver calibre .38. O boletim de ocorrência também registrou que o nome de Lívia foi encontrado escrito com sangue em um espelho no apartamento onde Carlos Eduardo foi localizado.
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Processo criminal
A morte de Carlos Eduardo terá consequências para o processo relacionado ao feminicídio. Conforme o artigo 107, inciso I, do Código Penal, a morte do agente extingue a punibilidade.
Após a confirmação oficial do óbito e o reconhecimento judicial da extinção da punibilidade, não poderá haver condenação criminal do investigado pelo caso. A medida, no entanto, não apaga os fatos apurados nem as provas reunidas durante a investigação.
A comunicação oficial da morte deverá ser encaminhada à Justiça para as providências cabíveis. Enquanto isso, a causa do óbito permanece pendente de esclarecimento.
O caso de Lívia mobilizou familiares e moradores de Pindamonhangaba e de outras cidades do Vale do Paraíba. Antes de ser assassinada, a estudante havia procurado as autoridades e obtido proteção judicial contra o ex-namorado.