A irmã de Lívia Berthoud, de 23 anos, assassinada a tiros em Pindamonhangaba, fez uma homenagem à irmã e um apelo para que a jovem não seja reduzida ao crime que tirou sua vida.
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Em uma publicação nas redes sociais, Laura Berthoud afirmou que Lívia “não era a notícia, nenhum número”, mas uma mulher com sonhos, família e uma vida inteira pela frente. A declaração foi feita ao relembrar a trajetória da universitária e cobrar justiça pelo feminicídio.
“Eu não quero que minha irmã seja lembrada apenas pelo crime que tirou a sua vida. Ela não era a notícia, nenhum número, ela era filha, ela era amiga, ela era tia e ela era irmã”, afirmou Laura.
Lívia era estudante de Direito da Unitau (Universidade de Taubaté), estava no último semestre da faculdade e estagiava no Tribunal de Justiça de São Paulo. Segundo a irmã, ela sonhava em conquistar a carteira da OAB e tinha planos para o futuro.
Para Laura, preservar a memória da irmã também significa contar quem ela era antes do assassinato. “Ela era apaixonada pela família, apaixonada pelo direito”, disse. A jovem também era conhecida pelo sorriso e pela proximidade com familiares e amigos.
‘Minha Viva’
Em outra homenagem, Laura explicou a origem do apelido “Viva”, usado pela família para chamar Lívia desde a infância. Segundo ela, quando era pequena, não conseguia pronunciar o nome da irmã e passou a chamá-la de “Viva”. O apelido acabou sendo incorporado pelos pais e se tornou uma forma carinhosa de se referir à jovem.
Laura afirmou que o apelido também representa a personalidade da irmã. “Porque a Lívia era isso: vida. Era riso, era carinho, era presença, era intensidade”, escreveu.
A irmã disse ainda que pretende manter viva a história de Lívia e evitar que a jovem seja lembrada apenas pelas circunstâncias de sua morte.
Relacionamento terminou antes do crime
Lívia havia encerrado um relacionamento de quatro anos com Carlos Eduardo Barbosa Vieira, de 25 anos, cerca de cinco meses antes do assassinato. Segundo a família, ele não teria aceitado o fim da relação e passou a procurar diferentes formas de manter contato com a jovem.
De acordo com Laura, foram registrados contatos por diferentes números, mensagens, transferências de R$ 0,01 via Pix acompanhadas de textos, cartas, presentes e tentativas de encontrar Lívia pelas ruas.
A família procurou a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), e Lívia conseguiu uma medida protetiva de urgência que determinava distância mínima de 100 metros entre ela e o ex-namorado.
Dias antes do assassinato, familiares também tomaram conhecimento de uma fotografia em que o investigado aparecia com uma arma de fogo. A situação aumentou o temor da família, que já acompanhava a sequência de tentativas de contato após o término.
Lívia tentou fugir antes de ser morta
O assassinato ocorreu na manhã de 10 de agosto de 2026. Lívia havia saído de casa para ir à academia quando foi abordada pelo ex-namorado nas proximidades da residência. Segundo o relato da irmã, a jovem correu e pediu ajuda, mas foi atingida por três disparos. O último foi fatal.
Câmeras de segurança registraram a ação. Nas imagens, Lívia aparece correndo e tentando escapar. Em determinado momento, ela se aproxima de um carro que passava pela rua, aparentemente em busca de ajuda, mas o veículo não para. Pouco depois, ela é alcançada e baleada.
A jovem morreu aos 23 anos. Para Laura, o crime interrompeu planos que incluíam a formatura, a OAB e a convivência com a família.
Prisão preventiva
Carlos Eduardo foi preso em flagrante por feminicídio e descumprimento de medida protetiva. Após audiência de custódia realizada em 11 de agosto, a Justiça de São Paulo converteu a prisão em flagrante em preventiva. O investigado permanecia internado e não participou presencialmente da audiência.
Após o crime, policiais encontraram o investigado ferido dentro do apartamento onde morava. Segundo o boletim de ocorrência, ele teria efetuado um disparo contra si próprio. Um revólver Taurus calibre .38 foi apreendido, além de celulares, incluindo um aparelho que pertencia a Lívia.
A investigação busca esclarecer a dinâmica do feminicídio, o histórico do relacionamento, as tentativas de contato relatadas pela família e um possível descumprimento da medida protetiva.
Carlos Eduardo continua internado em hospital de Pindamonhangaba. Ele está intubado e segue em condição estável na UTI, com o quadro ainda considerado grave. Ele está escoltado pela polícia.
‘O assassino não é a história inteira’
Laura afirmou que pretende continuar falando pela irmã, que não pode mais contar a própria história. Ela também criticou a circulação de informações que considera falsas sobre Lívia e pediu respeito à memória da jovem.
“O assassino, ele fez parte da página policial, mas ele não é a história inteira da minha irmã”, declarou. Para Laura, a história de Lívia é a de uma jovem de 23 anos que tinha o direito de terminar um relacionamento, dizer não e seguir a própria vida.
Ao final do depoimento, a irmã ampliou o pedido de justiça para outras mulheres que enfrentam situações de perseguição e violência.
“Justiça também por todas nós que queremos viver, queremos ter o direito de dizer não, de seguir em frente e continuar viva”, afirmou Laura.