MORTA PELO EX

'Por favor, socorro': vídeo mostra as últimas palavras de Lívia

Por Da redação | Pindamonhangaba
| Tempo de leitura: 6 min
Reprodução

“Por favor, socorro.”

Essas foram as últimas palavras de estudante de Direito Lívia Berthoud, de 23 anos, antes de ser morta a tiros pelo ex-namorado em Pindamonhangaba. O crime chocou o Brasil e foi filmado por uma câmera de segurança. VEJA O VÍDEO 

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A jovem aparece em um vídeo correndo pela rua e tentando escapar do ex-namorado, identificado como Carlos Eduardo Barbosa Vieira Leite, de 25 anos, o Cadu. Em determinado momento, ela se aproxima de um carro que passava pelo local e pede ajuda. O veículo não para. Na sequência, Lívia é atingida pelas costas.

A jovem universitária foi morta a tiros na manhã desta segunda-feira (10), no bairro Jardim Campo Alegre, em Pinda. Ela possuía uma medida protetiva contra Cadu. Após o crime, o jovem tentou tirar a própria vida -- ele, que segue hospitalizado, teve a prisão preventiva decretada. Ele escreveu o nome de Lívia com sangue. 

O vídeo agora integra a investigação da Polícia Civil, que tenta reconstruir a dinâmica do crime. Segundo o material, após pedir socorro ao carro, Lívia foi alcançada e atingida por disparos pelas costas. O atirador fugiu a pé, mas foi localizado pela polícia.

‘Enquanto eu respirar, lutarei por Justiça’

A morte de Lívia provocou uma forte manifestação da irmã, Laura Berthoud. Em uma homenagem publicada nas redes sociais, ela escreveu sobre a tentativa de proteger a estudante e afirmou que seguirá lutando por Justiça.

“Eu queria tanto poder te colocar em um potinho e te proteger de tudo. E daria tudo para ter conseguido. Mas, enquanto eu respirar, lutarei por justiça. Lutarei por você. E enquanto houver vida em mim, haverá amor por você. Para sempre, minha irmãzinha. Meu primeiro amor. Minha luz”, escreveu Laura.

Em entrevista ao canal Investigação Criminal, Laura também falou sobre a medida protetiva que havia sido concedida à irmã e questionou a capacidade de uma ordem judicial, sozinha, impedir uma agressão.

“O que é 100 metros? Quanto dá a distância de um tiro? Esse papel, para mim, não protege as mulheres”, afirmou.

A medida protetiva determinava que o ex-namorado mantivesse distância mínima de 100 metros de Lívia. Mesmo após a concessão da ordem, porém, ele teria se aproximado da estudante.

Para Laura, a morte da irmã mostra a necessidade de mecanismos mais efetivos de proteção às mulheres ameaçadas.

“Os homens têm que parar de nos matar, ninguém aguenta mais isso”, disse.

‘Eu não vejo uma vida sem ela’

A irmã também falou sobre o impacto da morte de Lívia e sobre o motivo que a mantém mobilizada pela busca por Justiça.

“Eu não vejo uma vida sem ela. Eu confesso que tô aqui porque sei que se fosse ao contrário ela ia virar esse mundo de cabeça para baixo para poder fazer justiça”, afirmou Laura ao Investigação Criminal.

A estudante e a irmã eram próximas e compartilhavam também a área profissional. Lívia cursava Direito na Unitau (Universidade de Taubaté), colaria grau no fim do ano e era estagiária do Tribunal de Justiça de São Paulo. Segundo a família, ela sonhava trabalhar ao lado da irmã na busca por Justiça e na defesa das mulheres.

‘Quero que ele vá a júri’, diz irmã

Em outra manifestação, Laura afirmou que espera que o suspeito se recupere para responder pelo crime dentro do devido processo legal.

“Quero que ele saia do hospital, que a Justiça seja feita, que tenhamos o devido processo legal, amplo direito de defesa, que ele vá a júri e pegue a maior pena possível”, afirmou.

Segundo a irmã, a família foi condenada a conviver com a ausência de Lívia.

“Ele condenou a gente a não ter mais a Lívia aqui conosco. Que ele viva uma vida miserável na cadeia”, declarou.

Lívia tentou fugir do ex

As imagens mostram que Lívia corria pela Rua São Sebastião enquanto tentava se afastar do ex-namorado. Durante a fuga, ela se aproxima de um veículo que passava pela via e pede ajuda.

O motorista, porém, não para. Pouco depois, o suspeito se aproxima e dispara contra a jovem, que cai após ser atingida.

A gravação deverá ser analisada em conjunto com outros elementos reunidos pela investigação para esclarecer exatamente como ocorreu o assassinato.

Lívia tinha medida protetiva

Lívia já havia procurado a polícia antes de ser morta. Segundo o boletim de ocorrência, ela registrou uma ocorrência de violência doméstica e conseguiu uma medida protetiva de urgência contra Carlos Eduardo Barbosa Vieira Leite, de 25 anos. Familiares relataram que ele não aceitava o fim do relacionamento e já teria feito ameaças de morte contra a jovem.

A medida protetiva foi concedida poucos dias antes do assassinato. Na sexta-feira, um oficial de Justiça comunicou a família sobre a decisão, que determinava que o investigado mantivesse distância mínima de 100 metros da estudante.

Na segunda-feira (10), porém, Lívia saiu de casa para ir à academia e foi abordada pelo ex-namorado perto de sua residência. Ela acabou sendo morta a tiros.

Ex fez foto com arma dias antes

Dias antes do assassinato, o ex-namorado de Lívia fez uma foto apontando uma arma de fogo para a própria cabeça e enviou a imagem a familiares. O episódio ocorreu durante uma escalada de ameaças e perseguições após o fim de um relacionamento de aproximadamente quatro anos.

Lívia havia bloqueado o ex nas redes sociais e no aplicativo de mensagens. Ainda assim, segundo informações reunidas pela família, ele teria usado transferências de R$ 0,01 via Pix para enviar mensagens e também mandado presentes e cartas à casa dos familiares.

Na semana anterior ao crime, familiares do homem procuraram Lívia para pedir que ela enviasse um áudio de apoio a ele, após relatarem que o ex havia admitido o uso de drogas e precisava ser convencido a se internar. Ela recusou o pedido por temer que o gesto fosse interpretado como uma tentativa de reatar o relacionamento.

Ex foi encontrado ferido

Após o assassinato, policiais localizaram Carlos Eduardo em seu apartamento, no bairro Bela Vista. Ele estava ferido e coberto de sangue.

Segundo o boletim de ocorrência, o homem teria efetuado um disparo contra si próprio depois de retornar ao imóvel. Ele foi levado ao Pronto-Socorro Municipal de Pindamonhangaba e permanece hospitalizado, sem condições de prestar depoimento.

No apartamento, os policiais encontraram um revólver Taurus calibre .38 com quatro munições deflagradas no tambor. A arma foi apreendida e encaminhada para perícia.

Nome de Lívia foi escrito com sangue

Outro elemento encontrado no apartamento chamou a atenção dos investigadores. Havia respingos de sangue no banheiro e o nome de Lívia escrito no espelho.

Segundo o boletim, a inscrição teria sido feita com o dedo. O local foi preservado para perícia, e os vestígios deverão ser confrontados com os materiais recolhidos na cena do crime.

Justiça decreta prisão preventiva

A Justiça de São Paulo decretou na terça-feira (11) a prisão preventiva de Carlos Eduardo. Ele não participou presencialmente da audiência de custódia porque continuava hospitalizado.

A prisão em flagrante foi convertida em preventiva. O investigado deverá prestar depoimento quando tiver condições clínicas para participar dos atos processuais. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio.

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