O novo tarifaço de 25% sobre importações de produtos brasileiros, proposto pelo governo dos Estados Unidos, pode ter impacto em R$ 1,5 bilhão em exportações de empresas do Vale do Paraíba.
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Ao menos cinco produtos produzidos na região ficaram de fora da lista de isenções dos EUA. Entre os isentos da nova taxa, estão aeronaves, petróleo e celulose, produtos entre os mais exportados pela região.
No entanto, ficaram de fora itens como sucos de fruta e vegetais, gorduras e óleos animais, cal e cimento, aço e obras de madeira. Somados, esses produtos representaram uma exportação de R$ 1,5 bilhão em 2025, do Vale para os EUA.
Eles foram produzidos por empresas instaladas em 16 cidades da região, sendo que o maior volume exportado foi registrado em Pindamonhangaba, São José dos Campos, Caçapava, Cruzeiro, Taubaté e Jacareí.
Reação ao Brasil
A medida foi anunciada na segunda-feira (1º) e tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Segundo o governo americano, a tarifa é uma resposta a práticas e políticas adotadas pelo Brasil que, na avaliação dos EUA, seriam "irrazoáveis" e prejudicariam o comércio norte-americano.
Por enquanto, a medida do governo do presidente Donald Trump poupou a Embraer, terceira maior fabricante de aviões comerciais do mundo e uma das principais exportadoras do país.
O novo tarifaço exclui alguns produtos considerados estratégicos ao mercado americano, como café, minérios e commodities energéticas.
Entre os itens isentos estão materiais informativos, doações, determinadas carnes, frutas, café, chá, cereais, sementes, minerais, terras raras, aeronaves brasileiras e peças aeronáuticas, além de produtos químicos orgânicos, farmacêuticos e fertilizantes.
Produtos em risco
Dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) mostram que os produtos semiacabados de ferro e aço foram o segundo item mais exportado pelo Brasil para os EUA em 2025, com vendas de US$ 3,36 bilhões, o equivalente a 8,92% do total embarcado.
Embora a Suprema Corte dos EUA tenha derrubado parte das tarifas impostas por Trump, as taxas aplicadas ao aço e ao alumínio permaneceram em vigor, inclusive para o Brasil. Isso porque elas foram adotadas com base na Seção 232, que não foi afetada pela decisão judicial.
O ministro da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, disse nessa terça-feira (2) que a nova proposta do governo de Donald Trump pode impactar 21% das exportações do Brasil para os Estados Unidos (veja abaixo os 10 produtos mais exportados para os EUA).
De acordo com ele, cerca de 25% das mercadorias brasileiras já estão sujeitas a sobretaxas previstas na Seção 232, que inclui itens como aço, alumínio e autopeças. Outros 54% das exportações não são afetadas por tarifas.
Embora a lista de exceções contemple algumas categorias específicas ligadas ao setor siderúrgico, como ferroligas, produtos de redução direta e determinados tubos de aço utilizados na aviação, os produtos semiacabados, lingotes e formas primárias de aço não aparecem entre os itens isentos.
Outro segmento relevante é o de ferro-gusa, spiegel e ferro-esponja, que movimentou US$ 1,74 bilhão em exportações no ano passado, representando 4,63% da pauta brasileira para os EUA.
Parte dessa categoria pode ser beneficiada pelas exceções concedidas às ferroligas, mas outros produtos do grupo não foram mencionados na lista de isenções.
Suco de frutas e equipamentos de construção
Entre os produtos agroindustriais, os sucos de frutas e vegetais aparecem entre os mais vulneráveis à nova tarifa. As exportações do setor somaram US$ 1,61 bilhão em 2025, correspondendo a 4,28% das vendas brasileiras para os Estados Unidos.
A lista de exceções inclui frutas frescas, secas, congeladas e até polpas, mas não contempla os sucos industrializados.
Também podem ser impactados os equipamentos e instalações utilizados em obras e projetos de engenharia civil. O segmento exportou US$ 1,38 bilhão para os EUA em 2025, o equivalente a 3,67% do total.
Embora algumas máquinas e equipamentos industriais tenham sido incluídos nas isenções, o benefício está restrito a produtos destinados ao setor aeronáutico, deixando de fora boa parte do maquinário empregado na construção civil e em projetos de infraestrutura.
Nova tarifa
Além dos 25%, os EUA anunciaram que pretendem estabelecer tarifas adicionais de 10% ou 12,5% sobre as importações de 60 países, incluindo o Brasil. A alegação é de que as falhas no combate ao comércio de produtos fabricados com trabalho forçado são injustificadas e restringem o comércio dos EUA.
A decisão é baseada em investigações de práticas comerciais desleais da Seção 301 – mecanismo da Lei de Comércio americana de 1974 que permite aos Estados Unidos investigarem e retaliarem países que adotam práticas comerciais ou regulatórias consideradas injustas ou prejudiciais aos interesses norte-americanos.
O governo Trump busca restabelecer tarifas de emergência que foram anuladas por decisão da Suprema Corte do país em fevereiro.
O país determinou tarifas de 10% relacionadas à investigação de trabalho forçado sobre as importações do Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, El Salvador, Guatemala, Malásia, Taiwan e Reino Unido. Em relação ao Brasil, o Escritório de Comércio disse que propõe tarifas adicionais de 12,5%, junto a outros 44 países que foram investigados.
