Um golpe na conta gov.br em Jacareí terminou com a contratação fraudulenta de um empréstimo consignado de R$ 180,73 mil em nome de uma idosa, de 63 anos, que só descobriu o caso após perceber redução significativa no pagamento.
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A ocorrência foi registrada no Plantão da Polícia Civil de Jacareí e aponta alteração indevida de dados cadastrais na conta gov.br, abertura de conta bancária em São Paulo, emissão de cartões de crédito e uso de documentos da vítima sem autorização. A ocorrência foi classificada como furto mediante fraude por meio eletrônico ou informático.
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima tentou acessar a conta no sistema gov.br para realizar procedimento ligado ao Imposto de Renda. Durante o acesso, ela constatou dificuldade para entrar na plataforma e depois verificou que e-mail e telefone do cadastro haviam sido alterados para dados que ela não reconhecia.
Após identificar o problema, a mulher regularizou o acesso e ativou autenticação em duas etapas. Dias depois, ao notar desconto no pagamento, procurou o Instituto do Servidor de São José dos Campos e foi informada sobre a existência de um empréstimo consignado em seu nome.
Alteração de dados de acesso
O golpe teve início aparente com a alteração dos dados de acesso da vítima na plataforma federal. Segundo o registro policial, constavam no cadastro um e-mail e um telefone que a mulher não reconhecia.
Esse tipo de fraude preocupa porque a conta gov.br permite acesso a serviços públicos digitais e pode servir como porta de entrada para solicitações, validações e contratações feitas em nome da vítima.
A mulher informou à Polícia Civil que regularizou o acesso e ativou a verificação em duas etapas. Mesmo assim, descobriu depois que criminosos teriam usado seus dados para operações financeiras não autorizadas.
Empréstimo consignado fraudulento
O prejuízo principal relatado no golpe envolve um empréstimo consignado de R$ 180,73 mil, parcelado em 96 prestações mensais de R$ 4.664,90.
Segundo o boletim, a vítima afirma que jamais autorizou a contratação do empréstimo e que não assinou nenhum documento, ainda que de forma digital.
A operação teria sido realizada junto ao Banco do Brasil. Ao procurar a agência, a vítima soube que uma conta bancária havia sido aberta em seu nome na Vila Matilde, em São Paulo, local com o qual ela afirma não ter vínculo.
Golpe também teve cartões de crédito
Além do empréstimo, o boletim informa que houve a contratação de dois cartões de crédito vinculados à conta aberta em nome da vítima. Cobranças já estavam em andamento quando ela descobriu a fraude.
A vítima também relatou a abertura de uma linha telefônica em seu nome, vinculada a uma operadora, possivelmente para viabilizar o cadastro fraudulento com endereço em São Paulo.
Ela afirma que sua carteira de habilitação teria sido usada de forma indevida após acesso irregular aos dados vinculados à conta gov.br.
Banco exigiu boletim para entregar contrato
No relato à Polícia Civil, a vítima afirmou que solicitou ao banco cópia do contrato do empréstimo, mas recebeu orientação de que o documento só seria disponibilizado mediante apresentação de boletim de ocorrência.
A ocorrência passou por segunda edição no dia 2 de junho, para retificação do local dos fatos. O registro aponta como local relacionado uma agência do Banco do Brasil na Vila Matilde, em São Paulo.
O caso foi encaminhado à delegacia da área do fato. Até o registro da ocorrência, a autoria constava como desconhecida.
Como proteger a conta gov.br contra fraudes
A plataforma gov.br orienta o uso da verificação em duas etapas como camada adicional de segurança. O recurso está disponível para contas nível prata e ouro e exige código gerado pelo aplicativo gov.br no momento do acesso.
Outra medida importante é revisar e-mail, telefone, dispositivos autorizados e métodos de recuperação da conta. Caso o usuário identifique alteração suspeita, deve alterar a senha, remover dispositivos desconhecidos e procurar os canais oficiais de atendimento.
No golpe em Jacareí, a vítima identificou alteração de e-mail e telefone. Esse sinal deve acender alerta imediato, porque indica possível tentativa de controle da conta por terceiros.
Ajuda contra abertura de contas fraudulentas
O Banco Central mantém o BC Protege+, serviço gratuito que permite informar ao sistema financeiro que a pessoa não deseja abrir conta ou ser incluída como titular ou representante em contas de terceiros.
A ferramenta pode reduzir o risco de abertura de contas fraudulentas em nome da vítima. Para ativar, é preciso acessar a área logada do Meu BC, no site do Banco Central.
Quem descobre empréstimo, conta bancária ou cartão aberto sem autorização deve agir rapidamente. A primeira medida é comunicar o banco, pedir bloqueio das operações, solicitar protocolos e contestar formalmente as contratações.
Também é importante registrar boletim de ocorrência, reunir extratos, prints, mensagens, protocolos de atendimento e comprovantes de descontos indevidos.
Em casos com conta gov.br alterada, a vítima deve recuperar o acesso por canais oficiais, ativar verificação em duas etapas e revisar todos os dados de segurança.