A estudante Bruna Damaris Sant'Anna da Silva, 26 anos, relembrou os momentos de desespero que viveu ao passar cerca de 42 horas à deriva em alto-mar, no Litoral Norte de São Paulo.
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Em entrevista ao “Domingo Espetacular” da TV Record, ela contou que a moto aquática em que estava com Dheorge Pereira Bernardino, 28 anos, apresentou pane e afundou.
Eles estavam com um grupo de amigos em uma lancha quando saíram em direção ao alto-mar com a moto aquática.
Ao perceberem que não conseguiam retornar, após a pane no veículo, os dois deixaram a moto aquática e entraram no mar usando coletes salva-vidas.
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Alucinações no mar
Bruna relatou que passou por frio intenso, exaustão e desidratação. Após mais de 24 horas no mar, ela afirma ter sofrido episódios de alucinação.
“Eu escutava alguma coisa me chamando: ‘Bruna, Bruna, vem cá’. E quando olhava para o breu eu via como se fosse um barco. Eu comecei a nadar em direção, só que não era um barco. Era uma montanha e atrás tinha uma nuvem branca. Eu tava nadando pra morte”, disse à Record.
Resgatada por um pescador, Bruna recebeu atendimento por hipotermia e já teve alta do hospital.
Bruna e Dheorge desapareceram no domingo (24 de maio), após a moto aquática em que estavam sofrer uma pane mecânica na região da Praia da Ponta das Canas e ser arrastada por fortes correntes em direção ao mar aberto.
Nesta segunda-feira (1º), um corpo foi encontrado boiando perto da Praia do Poço, em Ilhabela, com sinais característicos de prolongada permanência no mar. O corpo foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) de Caraguatatuba para definir a causa da morte e confirmar a identidade da vítima, apontada como Dheorge pela irmã dele.
Momentos de terror
Na entrevista, Bruna falou sobre os momentos de terror que viveu: “Parecia que era um sonho, porque lá na água, parecia uma eternidade. Eu pensei que eu ia morrer muitas vezes”, disse.
A estudante foi encontrada a cerca de 30 quilômetros de distância do ponto que desapareceu. Ela foi levada ao hospital, onde ficou internada até a última terça-feira (26).
Com as marcas do colete no pescoço e nos braços, Bruna contou que a moto aquática apresentou um problema logo depois que saíram do campo de visão dos amigos.
“Deu pane. Ele parou de funcionar do nada. Tanto é que quando o meu amigo falou que estava parando de funcionar, eu simplesmente peguei e falei, você está brincando? Você está de brincadeira comigo? Ele, não, está parando. E aí, quando a gente foi ver, não estávamos muito longe da lancha”, lembrou a jovem.
Tentativa de nadar até a costa
Ao perceber que a ilha ainda parecia próxima, ela sugeriu ao amigo que os dois deixassem a moto aquática e nadassem até a costa. Os dois amarraram os coletes um ao outro e entraram na água. Mas, no meio do percurso, ela começou a entrar em desespero. Sem conseguir avistar ninguém por perto, gritava por socorro e pedia ajuda, enquanto o medo tomava conta da situação.
Aos poucos, a moto aquática começou a afundar. E eles ficaram sozinhos, apenas com os coletes em alto-mar: “Naquele momento eu comecei a chorar, comecei a me desesperar, porque eu falei que eu não queria morrer, eu não queria ficar ali, que eu só queria ir para casa”, disse Bruna.
As esperanças se renovaram na manhã de segunda-feira, quando eles viram os primeiros helicópteros. Bruna afirma ter dormido ou desmaiado algumas vezes. E por isso não sabe em que momento o amigo desapareceu. Ela conta que depois de 24 horas à deriva, passou a ter alucinações.
Até que 42 horas depois, Bruna finalmente avistou um barco: “Na hora em que eles me pegaram e eu desabei, porque meu corpo não aguentava mais, eu estava com muita dor, muito cansada. A primeira coisa que eu falei para eles: o meu amigo está lá em alto mar, vai atrás dele, vai lá buscar ele”.
Nesta segunda, ela deixou uma mensagem aos familiares de Dheorge por meio das redes sociais: "Que Deus conforte o coração de todos vocês".