PERDIDA NO LITORAL

‘Eu tava nadando pra morte’: Bruna diz que teve alucinação no mar

Por Da redação | Ilhabela
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução/TV Record
Bruna Damaris conta detalhes de como ficou à deriva no mar
Bruna Damaris conta detalhes de como ficou à deriva no mar

A estudante Bruna Damaris Sant'Anna da Silva, 26 anos, relembrou os momentos de desespero que viveu ao passar cerca de 42 horas à deriva em alto-mar, no Litoral Norte de São Paulo.

Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp

Em entrevista ao “Domingo Espetacular” da TV Record, ela contou que a moto aquática em que estava com Dheorge Pereira Bernardino, 28 anos, apresentou pane e afundou.

Eles estavam com um grupo de amigos em uma lancha quando saíram em direção ao alto-mar com a moto aquática.

Ao perceberem que não conseguiam retornar, após a pane no veículo, os dois deixaram a moto aquática e entraram no mar usando coletes salva-vidas.

Leia mais: 'Não terminou com ele vivo', diz irmã de Dheorge; VEJA VÍDEO

Leia mais: 'Abandonaram ele': Irmã de Dheorge desabafa após corpo ser achado

Alucinações no mar

Bruna relatou que passou por frio intenso, exaustão e desidratação. Após mais de 24 horas no mar, ela afirma ter sofrido episódios de alucinação.

“Eu escutava alguma coisa me chamando: ‘Bruna, Bruna, vem cá’. E quando olhava para o breu eu via como se fosse um barco. Eu comecei a nadar em direção, só que não era um barco. Era uma montanha e atrás tinha uma nuvem branca. Eu tava nadando pra morte”, disse à Record.

Resgatada por um pescador, Bruna recebeu atendimento por hipotermia e já teve alta do hospital.

Bruna e Dheorge desapareceram no domingo (24 de maio), após a moto aquática em que estavam sofrer uma pane mecânica na região da Praia da Ponta das Canas e ser arrastada por fortes correntes em direção ao mar aberto.

Nesta segunda-feira (1º), um corpo foi encontrado boiando perto da Praia do Poço, em Ilhabela, com sinais característicos de prolongada permanência no mar. O corpo foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) de Caraguatatuba para definir a causa da morte e confirmar a identidade da vítima, apontada como Dheorge pela irmã dele.

Momentos de terror

Na entrevista, Bruna falou sobre os momentos de terror que viveu: “Parecia que era um sonho, porque lá na água, parecia uma eternidade. Eu pensei que eu ia morrer muitas vezes”, disse.

A estudante foi encontrada a cerca de 30 quilômetros de distância do ponto que desapareceu. Ela foi levada ao hospital, onde ficou internada até a última terça-feira (26).

Com as marcas do colete no pescoço e nos braços, Bruna contou que a moto aquática apresentou um problema logo depois que saíram do campo de visão dos amigos.

“Deu pane. Ele parou de funcionar do nada. Tanto é que quando o meu amigo falou que estava parando de funcionar, eu simplesmente peguei e falei, você está brincando? Você está de brincadeira comigo? Ele, não, está parando. E aí, quando a gente foi ver, não estávamos muito longe da lancha”, lembrou a jovem.

Tentativa de nadar até a costa

Ao perceber que a ilha ainda parecia próxima, ela sugeriu ao amigo que os dois deixassem a moto aquática e nadassem até a costa. Os dois amarraram os coletes um ao outro e entraram na água. Mas, no meio do percurso, ela começou a entrar em desespero. Sem conseguir avistar ninguém por perto, gritava por socorro e pedia ajuda, enquanto o medo tomava conta da situação. 

Aos poucos, a moto aquática começou a afundar. E eles ficaram sozinhos, apenas com os coletes em alto-mar: “Naquele momento eu comecei a chorar, comecei a me desesperar, porque eu falei que eu não queria morrer, eu não queria ficar ali, que eu só queria ir para casa”, disse Bruna.

As esperanças se renovaram na manhã de segunda-feira, quando eles viram os primeiros helicópteros. Bruna afirma ter dormido ou desmaiado algumas vezes. E por isso não sabe em que momento o amigo desapareceu. Ela conta que depois de 24 horas à deriva, passou a ter alucinações.

Até que 42 horas depois, Bruna finalmente avistou um barco: “Na hora em que eles me pegaram e eu desabei, porque meu corpo não aguentava mais, eu estava com muita dor, muito cansada. A primeira coisa que eu falei para eles: o meu amigo está lá em alto mar, vai atrás dele, vai lá buscar ele”.

Nesta segunda, ela deixou uma mensagem aos familiares de Dheorge por meio das redes sociais: "Que Deus conforte o coração de todos vocês".

Comentários

Comentários