BRIGA TRABALHISTA

Profissionais acusam clínica do Grupo Alvorada de calote em SJC

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Freepik
Profissionais denunciam irregularidades trabalhistas em clínica do Grupo Alvorada
Profissionais denunciam irregularidades trabalhistas em clínica do Grupo Alvorada

Funcionários e ex-colaboradores da Clínica ABA, do Grupo Alvorada, afirmam que a crise financeira enfrentada pelas unidades de São José dos Campos e Jacareí se agravou nas últimas semanas. Após denúncias anteriores sobre salários atrasados e falta de pagamento de verbas rescisórias, profissionais relatam ausência total de previsão de pagamento, fechamento da unidade de Jacareí e o aumento da pressão judicial contra a empresa.

A clínica é especializada no atendimento a neurodivergentes. As dificuldades orçamentárias obrigaram o espaço a reorganizar o quadro de especialistas, o que teria impactado no atendimento às crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) na região. Profissionais desligados afirmam que ainda não receberam as devidas verbas rescisórias.

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Histórico

A situação já havia sido revelada em reportagens publicadas em abril, quando trabalhadores denunciaram atrasos salariais, pagamentos fracionados e interrupções em atendimentos voltados a pacientes com TEA (Transtorno do Espectro Autista). Segundo os relatos mais recentes, parte dos funcionários ainda está sem receber os valores.

“Eles passaram datas que não conseguiram cumprir. Algumas poucas pessoas receberam no dia 11 de abril; eu fui uma delas em relação ao pagamento de março, mas abril já está completamente atrasado também”, afirmou uma funcionária. Segundo ela, o RH da clínica informou recentemente que não há mais previsão oficial para quitação dos débitos. “Eles disseram que não conseguem mais passar datas para não gerar expectativa no funcionário”, relatou.

Em nota enviada anteriormente a OVALE, a clínica afirmou que os problemas financeiros começaram após a liquidação da carteira da operadora Ativia Saúde, determinada pela ANS em março de 2026. Segundo a empresa, a perda da demanda obrigou a clínica a realizar uma reestruturação interna.

Na ocasião, a administração admitiu atrasos salariais e prometeu regularizar os pagamentos até o fim de abril, mas segundo os funcionários, isso não ocorreu.
A clínica também negou irregularidades trabalhistas, afirmou atuar conforme a legislação vigente e rejeitou acusações de falências anteriores.

Fechamento em Jacareí

Ex-funcionários afirmam que a unidade da Clínica ABA em Jacareí foi encerrada. Já a unidade de São José dos Campos continua funcionando, mas ainda enfrenta denúncias de inadimplência com trabalhadores, apesar de estar em processo seletivo para novas contratações.

“Eu estava na unidade de Jacareí. Ela fechou. A de São José continua aberta e os funcionários seguem sem receber também”, disse uma ex-colaboradora.
“Mesmo sem pagar os ex-funcionários, eles estão contratando outras pessoas. É patético, porque vão acabar sem pagar essas pessoas também”, criticou a profissional.

Crise emocional e financeira.

Os trabalhadores descrevem um cenário de desgaste emocional, dificuldades financeiras e insegurança. Muitos relatam não conseguir pagar aluguel, medicamentos e despesas básicas.  “Eu faço tratamento para ansiedade e estou sem dinheiro para comprar meus remédios. Eles estão tirando isso da gente sem pagar o salário devido”, afirmou uma funcionária.

Outra profissional relatou que o silêncio da administração tem aumentado o desespero entre os trabalhadores. “Eles somem por muito tempo e não dão respostas. No grupo do RH, evitam responder ou dar qualquer parecer”, disse.

O outro lado

Procurada novamente pela reportagem no dia 4 de maio e também nesta terça-feira (26), a Clínica ABA ainda não se manifestou sobre as novas denúncias. O espaço segue aberto para posicionamento.

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